Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Mutualistas colocam mais 300 milhões de euros no Montepio

Depois dos 200 milhões de 2015, a Associação Mutualista vai colocar mais 300 milhões na caixa económica. É uma forma de ganhar força para se diferenciar como instituição portuguesa. Félix Morgado afasta entrada de novos investidores.

Bruno Simão/Negócios
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 18 de Março de 2016 às 10:20
  • Partilhar artigo
  • 1
  • ...

O Montepio vai receber mais 300 milhões de euros da Associação Mutualista através de um aumento de capital. Juntam-se aos 200 milhões que a casa-mãe tinha já, no ano passado, colocado no fundo da instituição financeira. "O aumento de capital é subscrito na sua totalidade pela Associação Mutualista. E está a ser feito por capital", conta José Félix Morgado ao Negócios.

 

Há uma diferença entre o aumento de capital feito no ano passado e aquele que está, agora, a ser concretizado: em 2015, os 200 milhões de euros foram colocados através da subscrição de 200 milhões de unidades de participação do fundo da caixa económica; em 2016, os 300 milhões vão mesmo fazer parte do capital institucional.

 

Não foi possível perceber, para já, como é que a Associação Mutualista, liderada por António Tomás Correia (que até Agosto do ano passado também presidia à caixa económica), vai buscar o dinheiro para a injecção na Caixa Económica Montepio Geral.


"O nosso plano passa não só por aumento de eficiência mas pelo desenvolvimento do negócio, aumento do produto bancário", explica Félix Morgado, acrescentando que para crescer o produto é necessário cumprir certos requisitos de capital. "Entendemos que seria bom ter uma base de capital sólida, robusta", acrescenta. Daí o aumento de capital. 

 

Em termos de capital, o rácio Common Equity Tier 1, rácio de referência que mede o peso do capital de melhor qualidade numa instituição financeira, ficou em 8,81%, mais 31 pontos base (0,31 pontos percentuais) que no ano anterior, de acordo com as regras aplicáveis neste momento. O mínimo é 7%.

 

Contudo, caso já estivessem em vigor todas as normas constantes do novo regime de regulação Basileia III (que só serão obrigatórias em 2019), o rácio CET1 do Montepio cairia 23 pontos base para 6,75%.

 

Aproveitar espanholização para ser diferente

 

Com o aumento de capital, o rácio seria, no final do ano passado, de 10,9%, "o que alguns concorrentes têm", sublinha o CEO da caixa.

 

Com a nova base de capital, a Caixa Económica Montepio Geral quer aproximar-se, para, de seguida, se diferenciar. "Entendemos que, no mercado, existem essas oportunidades, que vêm do que se tem vindo a passar no sector, que é a espanholização da banca", opina Félix Morgado, referindo-se à possibilidade de o La Caixa ficar com o BPI e a entrada de novos bancos como o espanhol Bankinter (que comprou o Barclays).


"Somos dos poucos bancos portugueses. Temos 171 anos, continuaremos a ser portugueses nos próximos 171 anos", afirma, antevendo que há empresas que vão ter dificuldade em aceder a créditos em bancos com sede em Madrid ou noutras capitais.


Montepio afasta novos investidores

 

Não vão entrar novos investidores na caixa económica. Pelo menos, não há essa ideia, ao contrário do que era previsto no ano passado e que é uma possibilidade aberta no novo regime jurídico das caixas económicas.

 

"Não há abertura de capital, não há essa perspectiva, não é esse o objectivo", assevera o responsável ao Negócios. "Esqueça essas operações".

 

Assim, é a Mutualista que tem a cargo a injecção de capital de 300 milhões de euros no Montepio (valor equivalente aos prejuízos de 243 milhões de euros que a caixa económica apresentou esta sexta-feira) – a SIC já tinha avançado esta notícia no início do mês mas, na altura, a caixa económica escusou-se a fazer quaisquer esclarecimentos ao Negócios.

 

Além deste dinheiro, a associação também comprou as posições nas seguradoras (Lusitânia) que a caixa económica detinha, que são normalmente unidades que consomem capital.  

 

Ver comentários
Saber mais Associação Mutualista José Félix Morgado António Tomás Correia Caixa Económica Montepio Geral
Outras Notícias