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Nacionalizar Banif teria custado menos que a resolução em 2013

A Oliver Wyman estudou cenários de contingência para o Banif para o Banco de Portugal. A nacionalização era, na altura, a mais barata e teria custado menos que uma resolução. 

Miguel Baltazar
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A nacionalização do Banif, em 2013, teria sido menos onerosa do que a resolução da instituição financeira, de acordo com os cálculos feitos pela Oliver Wyman, consultora que trabalhou, em vários cenários para o banco fundado por Horácio Roque desde 2012.

 

"Em Agosto e Setembro de 2013, avaliámos, tendo em conta um conjunto de critérios, diferentes cenários de intervenção e resolução para o Banif, nomeadamente a nacionalização, a resolução com venda de activos e passivos, a resolução com constituição de um banco de transição e a liquidação", disse o sócio da Oliver Wyman, Rodrigo Pinto Ribeiro, na comissão parlamentar de inquérito.

 

Na audição desta terça-feira, 3 de Maio, e em resposta à deputada socialista Lara Martinho, Pinto Ribeiro defendeu que o principal critério de avaliação dos cenários estudados na altura – após a injecção de dinheiros públicos em Janeiro de 2013 – era o custo. A conclusão era a de que o intervalo de encargos numa nacionalização era o menos oneroso.

 

No cenário de nacionalização, o custo oscilava entre 2,7 e 4,2 mil milhões de euros. A resolução com venda de activos situava-se entre 2,8 e 4,3 mil milhões de euros. A resolução com a constituição de um banco de transição tinha um custo que iria de 3 a 4,4 mil milhões de euros. A liquidação era a mais cara, com custos entre os 5,3 e os 5,7 mil milhões.

 

Estes eram os cenários estudados em 2013, após a colocação de dinheiro estatal e num momento em que a Direcção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia não aprovava o plano de reestruturação que o banco tinha de propor para compensar aquele auxílio público. Como não devolveu parte da ajuda estatal de 1,1 mil milhões de euros na data marcada, Bruxelas abriu uma investigação aprofundada que serve de justificação para a resolução aplicada em Dezembro de 2015.

O banco foi alvo de uma resolução a 20 de Dezembro com a injecção estatal de 2.255 milhões de euros e a imposição de perdas para os accionistas e detentores de dívida subordinada, passando ainda pela venda, por 150 milhões de euros, ao Santander Totta. Além disso, o Estado deu ainda garantias ao Totta que ascendem os encargos potenciais para 3 mil milhões de euros, a que se somam ainda 850 milhões de euros da ajuda de 2013 que não foram devolvidos.

 

Em 2015, a nacionalização – que passaria pela integração do Banif na Caixa Geral de Depósitos – não avançou devido à recusa de Bruxelas. A resolução com venda com banco de transição (à semelhança do Novo Banco, no caso BES) foi rejeitada pelo conselho de governadores do Banco Central Europeu, ainda que não haja, até agora, um documento oficial que mostre a recusa.

Acabou por avançar a resolução com venda de activos ao Santander Totta e Ricardo Mourinho Félix, secretário de Estado do Tesouro, já veio a público defender, este ano, que a liquidação teria custos superiores a 5 mil milhões de euros. 

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