Empresas “Não voltarei a trabalhar no sector público. Não estou interessado em ser considerado gatuno”

“Não voltarei a trabalhar no sector público. Não estou interessado em ser considerado gatuno”

Almerindo Marques voltou, na comissão de inquérito aos “swaps”, a criticar a forma como a tutela tratou a Estradas de Portugal. Por isso, a decisão de se demitir da presidência foi, em 2011, “irrevogável”. “Mas essa foi mesmo irrevogável”.
“Não voltarei a trabalhar no sector público. Não estou interessado em ser considerado gatuno”
Diogo Cavaleiro 16 de setembro de 2013 às 20:29

Relembrando as buscas de que foi alvo pela Polícia Judiciária, em 2012, Almerindo Marques deixou esta segunda-feira, no Parlamento, fortes críticas à forma como os gestores públicos são tratados em Portugal.

 

“Não voltarei mais a trabalhar no sector público em Portugal porque não estou interessado em ser considerado gatuno”, declarou o presidente do conselho de administração da concessionária de auto-estradas entre 2006 e 2011.


Almerindo Marques, que foi administrador da RTP, cumpriu um mandato na Estradas de Portugal (2007-2010), tendo seguido para um segundo mandato que não terminou. Em 2011, o gestor disse ao Governo que tinha de sair, uma decisão “irrevogável”. “Mas essa foi mesmo irrevogável”, disse, referindo-se, implicitamente, ao pedido de demissão “irrevogável” feito por Paulo Portas a 2 de Julho deste ano, que acabou por não se concretizar.

 

Como já tinha dito publicamente, o antigo responsável da empresa pública já queria ter saído no primeiro mandato mas acabou por não o fazer porque, na altura, o Tribunal de Contas chumbou vistos para a construção de subconcessões. Só quando o visto foi dada é que deixou o cargo.

 

A demissão foi justificada, além da saída do visto às concessões pelo Tribunal de Contas, pelo facto de Almerindo Marques se sentir como alvo de um “massacre” todos os dias. Com a modificação do modelo de gestão e financiamento do sector rodoviário, a Estradas de Portugal passou a ser a concessionária geral e isso levou a um aumento significativo da dívida. “Eu era [considerado] o bandido-mor do reino porque endividava a Estradas de Portugal”, ironizou, em respostas a perguntas feitas pela deputada social-democrata Elsa Cordeiro.

 

O antigo administrador da EP falou na “complexa situação” que se enfrentava porque, segundo o próprio, não estava a ser cumprida a legislação criada para o sector rodoviário. No seio de um processo em que necessitava de dinheiro, a administração da empresa viu-se obrigada a solicitar crédito. Para obter o empréstimo, a concessionária teve de aceitar a subscrição de um “swap”, segundo contou aos deputados, embora sublinhe que aquele instrumento é "normal".

 

Buscas “chocam” Almerindo


Em Dezembro do ano passado, Almerindo Marques foi alvo de buscas pela Polícia Judiciária no âmbito do inquérito às parcerias público-privadas rodoviárias. “O que me chocou foi precisar de ter 70 anos de idade e, de só em regime democrático, ser invadido (...) para fazerem buscas à minha casa”.

 

“[Uma acção] com base num relatório que é incorrecto, que não é verdadeiro, arranjaram-me uma suspeição de ser autor de actos ilícitos”, acusou o antigo responsável da EP.

 




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