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Nasser foi enviar uma carta e abriu uma conta no Banco CTT

Balões, câmaras de televisão e declarações do presidente dos Correios fizeram a festa de inauguração do Banco CTT. Nasser não tinha sido convidado. Mas como foi enviar uma carta acabou a abrir conta no banco.

Bruno Simão
Maria João Gago mjgago@negocios.pt 18 de Março de 2016 às 11:55
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Passa meia hora depois da abertura ao público do Banco CTT e para quem entra na estação dos Correios dos Restauradores, em Lisboa, é impossível não dar conta do novo serviço disponível. Na verdade, é mais do que um serviço, é um banco.

 

Cá fora, a chuva copiosa não demove os jovens vestidos com camisolas brancas e vermelhas, com a marca CTT bem visível, de tentarem entregar balões a quem passa. Os balões são o primeiro sinal de festa na loja dos Correios. Estão ali para assinalar a inauguração do Banco CTT.

 

À entrada, nenhum cliente dos CTT consegue deixar de perceber que esta sexta-feira, 18 de Março, há algo diferente na estação dos Correios. Do lado esquerdo, há um novo balcão onde está uma funcionária a distribuir folhetos sobre o banco. Objectivo: levar os clientes dos CTT a aderirem ao novo projecto da empresa.

 

"Já conhece o Banco CTT?", pergunta, simpática, a quem quer que passe. Nem os jornalistas que circulam de forma anónima por não estarem acompanhados de câmaras de televisão ou máquinas fotográficas escapam.

 

A festa das câmaras de televisão

No interior da estação, é precisamente a pequena multidão de "cameramen" e de jornalistas de microfone em punho que, com o presidente e a equipa de comunicação dos Correios, faz a festa de inauguração do Banco CTT.

 

"Os outros bancos devem ter medo do banco dos Correios?", dispara um jornalista. "Medo não é a palavra certa. Vamos respeitar a concorrência, mas achamos que temos uma proposta que faz sentido", responde Francisco Lacerda, o presidente dos CTT que cumpriu o velho sonho da empresa de ter um banco postal.

 

O ex-banqueiro que agora, de certa forma, regressa à banca, faz questão de sublinhar que é na ligação aos Correios que estão as vantagens do Banco CTT: "Temos a proximidade ao cliente, a confiança na marca dos CTT e custos partilhados com os Correios". Não haja dúvidas, se há um banco que nasce numa altura em que a generalidade do sector está e fechar balcões e a reduzir pessoas, é apenas porque é o banco dos CTT.

 

Enquanto Lacerda posa para as câmaras de televisão, uma trabalhadora dos Correios aproveita para tratar de qualquer assunto ao balcão do Banco CTT. No posto de atendimento ao seu lado há um cliente real a abrir conta.

Cliente por acaso

 

Depois de cerca de meia hora a fornecer elementos, a mostrar documentos e a assinar papéis, Nasser, 30 anos de idade, no máximo, recebe finalmente dois envelopes: num está o cartão de débito do Banco CTT, ainda por personalizar – o cartão definitivo ser-lhe-á enviado para casa dentro de algumas semanas.

 

Conta aberta, há direito a dois apertos de mão com a trabalhadora dos Correios que dá a cara pelo Banco CTT. Assustado, Nasser aceita, não sem relutância, dar o seu testemunho para as câmaras de televisão. Porque é que veio hoje abrir conta? Foi mesmo por acaso.

 

"Tinha que enviar uma carta e depois vi as condições que o banco oferece, como as comissões zero e [a remuneração] das poupanças e gostei", responde Nasser, tímido, fugindo a correr do batalhão de jornalistas.

 

O balcão do Banco CTT fica vazio. Há quatro trabalhadores dos Correios-recém-bancários à espera que outros clientes dos Correios tenham a curiosidade de ir descobrir o novo projecto da empresa. Os jornalistas desmobilizam.

 

Lá fora, a chuva continua a cair mas os balões brancos continuam a mostrar a quem passa que, dentro da estação dos Correios há mais do que selos. Até já há um banco.



Como as estações dos Correios se transformam em balcões do Banco CTT
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