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Nova lei das PIRC pode levar a crescimento de 25% nas marcas próprias do Pingo Doce

Administração da Jerónimo Martins considera que "legislador não soube legislar" sobre a regulação das práticas negociais entre a distribuição e os fornecedores industriais e agrícolas.

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Isabel Aveiro ia@negocios.pt 26 de Fevereiro de 2014 às 14:40
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A nova lei que regula as negociações entre a distribuição e os seus fornecedores poderá ter como efeito um aumento das vendas das marcas próprias na cadeia Pingo Doce da Jerónimo Martins (JM), considerou esta quarta-feira Pedro Soares dos Santos.

 

O presidente e administrador-delegado da JM antecipou que o novo diploma das PIRC – Práticas Individuais Restritivas do Comércio, publicado a 27 de Dezembro de 2013 mas que só esta terça-feira, dia 25 de Fevereiro, entrou em vigor, poderá aumentar o consumo de marcas próprias da retalhista do grupo em Portugal.

 

“Muito pela salvaguarda desta lei” e se a JM “não chegar a acordo” com os fornecedores de marca da indústria, o consumo de marcas próprias da cadeia Pingo Doce poderá “crescer mais 20% a 25%”, afirmou esta quarta-feira Pedro Soares dos Santos.

 

Hoje, avançou tendo em conta os dados relativos ao exercício de 2013, as marcas próprias representam 40% das vendas da cadeia de 376 supermercados que a JM tem no País, sem contabilizar os produtos perecíveis (como os frescos horto-frutícolas, carne e peixe). No total das vendas da cadeia, as marcas próprias representam hoje 20% das vendas do Pingo Doce.

 

A cadeia registou venda de 3.181 milhões de euros nas suas lojas em 2013, um aumento de 3,9% face a 2012, representativas de 26,9% da facturação consolidada do grupo naquele ano.

 

Análise da relação entre a distribuição e os fornecedores parte de uma “farsa”

Questionado pelos jornalistas sobre o novo diploma, Pedro Soares dos Santos defendeu que “o legislador não soube legislar” e que a análise sobre esta matéria parte de “uma farsa” sobre a relação entre a distribuição e os seus fornecedores.

 

“A nossa relação”, contra-argumentou, “com a maior parte dos nossos fornecedores é mais de uma dezenas de anos”. Sobre a eventualidade de, pontualmente, haver conflitos com alguns fornecedores, respondeu: “entre marido e mulher também há discussões”.

 

Na apresentação inicial, Pedro Soares dos Santos afirmara já que só para exportação, nomeadamente via cadeia do grupo Biedronka (Polónia) o grupo compra a Portugal, a 55 fornecedores de vinhos, queijos ou fruta, o equivalente a 40 milhões de euros.

 

Acredita o administrador-delegado e presidente da JM que, todavia, o resultado da nova lei é que os “mais fortes vão ser mais fortes e os mais fracos sairão a perder”. Se o legislador “tivesse tido um diálogo maior com a grande distribuição”, frisou, “talvez” a revisão da antiga legislação que datava de há 20 anos tivesse corrido melhor. “Agora vamos ver como vai correr”, afirmou à plateia da conferência de imprensa.

 

A revisão legislativa que terminou com a publicação do novo diploma das PIRC, que vem sendo negociado desde quase o final de 2011, é uma reivindicação de parte dos fornecedores agrícolas e industriais (indústria agro-alimentar) do País, sobretudo os de menor dimensão e, logo, com menos poder negocial junto dos operadores de distribuição.

 

A APED – Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, liderada pela Sonae (Modelo Continente, líder do retalho alimentar em Portugal) e vice-presidida pela JM (Pingo Doce e Recheio) e pela Auchan Portugal (Jumbo e Pão de Açúcar) tem sido a maior crítica do novo diploma, questionando os efeitos da nova regulamentação junto dos consumidores, argumentando que as promoções e descontos serão mais difíceis de praticar com a nova regulamentação.

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