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Novabase é a cotada mais saudável da bolsa nacional

Colocar um estetoscópio nos balanços e nas demonstrações de resultados das empresas e aferir de imediato e com precisão a sua saúde financeira é o sonho de qualquer investidor, credor ou fornecedor. A Company Watch propõe um método que permite uma aproxim

Pedro Carvalho pc@mediafin.pt 31 de Janeiro de 2006 às 11:39
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A banca deu na semana passada o pontapé de saída na apresentação das contas de 2005, que vai continuar ao longo desta semana.

O Jornal de Negócios, através dos dados da Company Watch, procurou identificar, com base nos balanços e demonstração de resultados dos cinco anos anteriores a 2005, as cotadas na bolsa que estão em melhor situação do ponto de vista financeiro.

A Novabase destaca-se como a cotada com melhor saúde na Euronext Lisbon. Das empresas analisadas, 70% aparece com rácios financeiros saudáveis (ver tabela em etodologia).

Tecnológica há cinco anos à frente do sector. A Company Watch tem dados para 29 das cerca de 50 empresas da Eurolist, ou seja, cobre 58% do mercado nacional. O sector bancário, pela não adequação da metodologia em causa, é um dos que ficou de fora. Das 29 cotadas analisadas, a empresa de tecnologias liderada por Rogério Carapuça aparece à frente com uma pontuação de 84 pontos, acima da média do sector que se queda em 79 pontos. A pontuação foi calculada através da análise dos rácios financeiros de 2000 a 2004. Neste período, os indicadores da Novabase ficaram sempre acima do sector. Manuel Tavares Festas, «Head of Investor Relations» da Novabase, questionado pelo Jornal de Negócios sobre a posição relativa da empresa, diz que «o reconhecimento internacional da ‘performance’ da Novabase, seja em termos financeiros, seja em termos operacionais, é um elemento fundamental para análise da empresa por parte dos investidores e mostra uma outra importante faceta do nosso trajecto empresarial».

Pela amostra dos primeiros nove meses do ano passado, a tecnológica deverá continuar com um desempenho acima do sector, pelo menos em termos de resultados líquidos. De Janeiro a Setembro de 2005, a Novabase aumentou os lucros em 41%, tendo as receitas melhorado cerca de 28%. Quando questionado sobre as contas de 2005 e as projecções para este ano, Festas afirma que, como a empresa vai fazer brevemente a apresentação das contas, e pelas regras de mercado enquanto empresa cotada, não pode comentar.

Sobre a avaliação da empresa, os analistas também parecem concordar. O BPI analisou, num estudo recente, 60 empresas ibéricas de pequena e média dimensão e escolheu a companhia liderada por Rogério Carapuça como uma das «top picks» para 2006.

Papelaria Fernandes, Fisipe e Compta com as piores pontuações. Também bem posicionadas no «ranking» surgem a Cimpor, a companhia de tintas CIN e as duas empresas do Grupo Portugal Telecom. Com a pior classificação e já na «zona de alerta» aparecem a Papelaria Fernandes e a empresa de fibras Fisipe, ambas com dois pontos cada. Segundo os dados da Bloomberg, de 1999 a 2003 (com excepção de 2002 no caso da Fisipe), as duas empresas têm contabilizado sempre prejuízos. De seguida, na «zona de alerta» aparece a Compta que, depois dos anos de 2002 e 2003 deficitários, anunciou que em 2004 diminuiu os prejuízos nos primeiros nove meses para os 777,37 mil euros, num período em que as vendas desceram.

Sobre a credibilidade deste tipo  de estudo, João Carlos Carvalho das Neves, economista e professor catedrático do ISEG, disse ao Jornal de Negócios que estes tipos de rácios, «em termos gerais, são razoáveis, mas não está cientificamente provado que uma empresa na zona de perigo possa ir à falência». Adianta que é mais uma ferramenta de auxílio para avaliar uma empresa, «mas é difícil definir um patamar a partir do qual a situação de uma empresa é grave».

A Company Watch. A Company Watch é uma firma independente de Londres, controlada pelos directores executivos e pelos patrocinadores e o seu modelo (o H-Score) foi lançado em Fevereiro de 1999, quando grandes empresas na Europa, nomeadamente do sector da aviação, começaram a entrar em falência. O modelo desenvolvido pela Company Watch veio ajudar a ter uma melhor percepção do risco, uma ferramenta útil sobretudo para os credores e fornecedores da empresa em análise.

A Metodologia. O H-Score é uma medida que procurar aferir a saúde financeira de uma firma, baseada na avaliação estatística dos mapas financeiros da empresa. Este indicador tem uma escala de zero (a pior pontuação) a 100 (melhor pontuação). Segundo os critérios da Company Watch, as empresas com uma classificação de até 25 estão na chamada «zona de alerta», ou seja, estão financeiramente mais vulneráveis. «Nem todas as empresas com uma classificação abaixo de 25 vão à falência, mas é muito pouco provável que uma empresa com uma classificação acima dos 25 venha a abrir falência», lê-se num artigo do «Financial Times» sobre a Company Watch. «É muito raro que uma empresa experimente grandes dificuldades financeiras, desde que o seu H-Score se quede acima da zona de alerta». O H-Score é um número único, mas resulta da ponderação de sete factores (ver caixas em cima).    

H-Score é uma melhoria do Z-Score. A origem deste indicador remonta há mais de 30 anos, quando um académico do «New York Business School» desenvolveu o modelo do Z-Score. Com a massificação da informática e dos PC, a Company Watch construiu um modelo com maior potência. Quer o Z-Score (baseado em quatro rácios), quer o H-Score (sete rácios) procuram comparar vários indicadores financeiros de uma empresa, com os rácios dos negócios que foram à falência. A ideia base é que se o balanço e a demonstração de resultados de uma empresa forem idênticos aos de uma falida, então o seu estado de saúde é preocupante.

Uma das grandes diferenças entre o Z-Score e o H-Score é que o primeiro utiliza diferentes modelos para diferentes tipos de empresas. Por exemplo, uma grande retalhista não pode ser avaliada como mesmo modelo usado para aferir da saúde de uma pequena empresa industrial. Isto pode introduzir elementos de subjectividade na análise.

O H-Score é desenhado de forma que qualquer empresa, excluindo as do sector financeiro, se possa encaixar no modelo, eliminando aquela subjectividade. Ao mesmo tempo que o H-Score avalia as empresas todas com base nos mesmos sete rácios, a ponderação – aquando do cálculo do H-Score – varia consoante o tipo de empresa.

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