Banca & Finanças Novo Banco avança já com novos fechos e rescisões

Novo Banco avança já com novos fechos e rescisões

O Novo Banco espera reduzir 400 trabalhadores até Junho. É um passo para o cumprimento de metas acordadas com Bruxelas. O corte será mais drástico se o Estado vier a gastar mais dinheiro, uma possibilidade assumida junto da Comissão.
Novo Banco avança já com novos fechos e rescisões
Jorge Paula/Correio da Manhã
Diogo Cavaleiro 06 de março de 2018 às 22:20
Novo Banco (NB) vai avançar já com uma nova redução de pessoal e fecho de balcões, de acordo com informações recolhidas pelo Negócios. Durante o primeiro semestre, a instituição financeira avançará com um processo de reformas antecipadas e outro de rescisões amigáveis. Esta é uma das medidas que resulta dos compromissos assumidos pelo Estado português junto da Comissão Europeia, na sequência da venda de 75% ao fundo americano Lone Star.

Serão à volta de 400 saídas as pretendidas pela gestão de António Ramalho no âmbito dos dois programas em curso. Segundo sabe o Negócios, deverão encerrar cerca de 30 balcões neste período.

Não há ainda dados de final do ano, mas em Setembro a herdeira do BES contava com 5.675 trabalhadores, a operar em 475 agências. Não foi possível obter comentários nem da comissão de trabalhadores nem do Novo Banco.

Estes processos inserem-se nas obrigações que o banco tem de respeitar na sequência do acordo assinado pelo Estado português e a Comissão Europeia. O acordo deve-se à venda do Novo Banco, que era um banco de transição, à Lone Star, nomeadamente por conta de (eventual) uso de dinheiros públicos, o que leva à definição de um plano de reestruturação a aplicar pelo banco até 2021. Alguns dos pormenores são revelados no documento não confidencial da Comissão Europeia em que a comissária, Margrethe Vestager, informa que as medidas em torno do NB estão em linha com as regras europeias.

O Novo Banco vai ser sujeito a uma interdição de aquisição, de pagamento de dividendo [...] durante o período de reestruturação. Margrethe Vestager
Comissária europeia para a Concorrência 
Tendo em conta possíveis distorções na concorrência, há compromissos que visam, segundo a versão não confidencial da Comissão Europeia, assegurar a viabilidade do banco. Um deles é a diminuição da estrutura de custos. Não são indicados números, apenas intervalos. É certo que o número de funcionários terá de descer abaixo dos 5.000 ao longo do plano de reestruturação e o número de balcões tem de ser inferior a 400. Há metas para o rácio que mede o peso dos custos nos proveitos do banco, pelo que poderá haver diminuições adicionais da estrutura de rede e de pessoal.

Estes são compromissos já assumidos no âmbito da venda e do mecanismo de capitalização contingente, que pode obrigar o Fundo de Resolução, dono de 25% do NB, a injectar até 3,89 mil milhões de euros para cobrir a deterioração dos rácios de capital da instituição e a desvalorização de um conjunto específico de activos. Estes 3,89 mil milhões de euros, que podem servir para cobrir eventuais perdas, juntam-se aos 3,9 mil milhões que o Estado injectou aquando da constituição do Novo Banco, em 2014.

Só que o valor pode ser ainda maior, e com implicações no quadro de pessoal, segundo a decisão da Comissão Europeia, mais uma vez tendo em conta os compromissos assinados pelo Estado.

Portugal assumiu perante Bruxelas que, mediante algumas condições, injectaria capital ou subscreveria dívida com elevado nível de subordinação do NB, se os rácios exigidos pelo Banco Central Europeu não fossem respeitados. Não há, porém, montantes revelados e o Ministério das Finanças não respondeu ao Negócios. A acontecer a injecção adicional, o corte no NB é alargado para entre 800 e 1.100 trabalhadores e 90 a 120 agências.

Se for usado dinheiro público na rede de capital de segurança, Portugal tem o compromisso de reduzir ainda mais o perímetro
do banco.
Margrethe Vestager
Comissária europeia para a Concorrência



A sua opinião8
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
comentar
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
mais votado Anónimo 07.03.2018

Vendem por +/- 400 milhões e agora têm de lá meter +/- 4.000 milhões?
Mas porque é que não ficaram com o Banco? Sempre poupavam 3.600 milhões!

comentários mais recentes
Anónimo 07.03.2018

Porque é o Estado a meter mais dinheiro dos contribuintes e os devedores do BES não são obrigados a pagar as dívidas (maiores devedores do BES que passaram para o Novo Banco, devem no conjunto 6.600 milhões de euros),à cabeça o Grupo Mello deve 945 milhões de euros.

Anónimo 07.03.2018

Quando em 2014 o BdP e o governo tomaram controlo do BES e procederam à separação foi "garantido" pela ministra MLA que o novo não traria encargos para os contribuintes, seria a banca a pagar eventuais prejuízos...pura irresponsabilidade e incompetência a juntar ao dos actuais governantes.

Anónimo 07.03.2018

Uma vergonha! Os monarcas do banco em casa a gozar o Netflix e os desgraçados atascados em problemas e em risco de ir para a rua. É indecente o que se passa neste país! E nós os contribuintes a pagarmos os milhões de prejuizos de privados com os milhões nas offshores...

António 07.03.2018

Quando o BES foi fechado e abriram o Novo Banco, diziam que não tinha custos para o contribuinte e que não haveria despedimentos.
Pois para além de o contribuinte já se ter fundido os despedimentos continuam.
Bando de aldrabões e chulos.
Mas o Ramalho ganha os milhões na mesma.

ver mais comentários
pub