Banca & Finanças Novo Banco vai fechar mais 73 agências este ano

Novo Banco vai fechar mais 73 agências este ano

O Novo Banco quer fechar 73 agências este ano, antecipando a meta negociada com Bruxelas, além da saída de mais de 400 trabalhadores que já era conhecida.
Novo Banco vai fechar mais 73 agências este ano
Bruno Simão
Lusa 16 de abril de 2018 às 08:20
Na informação da Comissão de Trabalhadores aos funcionários do Novo Banco, a que a Lusa teve acesso, esta estrutura informou que teve uma reunião com a administração do banco em que foi dito que serão antecipadas "quase por completo as metas a atingir até 2021 para o final do primeiro semestre de 2018", isto tanto em termos de saídas de pessoal como de reduções de agências.

De trabalhadores, já era conhecido que o Novo Banco quer que saiam este ano mais de 400, seja em rescisões por mútuo acordo, seja em reformas antecipadas, tendo já provisionado 134 milhões de euros para esse processo.

Em termos de agências, apenas se sabia que o Novo Banco ia fechar 30 até final deste mês, mas ainda não era conhecido quantas seriam fechadas no total do ano.

O presidente executivo do banco, António Ramalho, escusou-se a divulgar essa informação no final de Março, na apresentação de resultados do Novo Banco, justificando que queria primeiro informar os órgãos representativos dos trabalhadores antes de tornar essa informação pública.

A informação agora divulgada pela Comissão de Trabalhadores indica que serão 73 agências.

O Novo Banco tinha no final de 2017, 473 balcões, pelo que o objectivo é cumprir já este ano o compromisso com Bruxelas de reduzir a rede a 400 balcões.

Quando estes fechos forem concretizados, face aos 631 balcões que o Novo Banco tinha no final de 2014, tal significa que a instituição fechou cerca de 40% da rede comercial em quatro anos.

Quanto à redução de trabalhadores, esta sexta-feira terminou o prazo para os funcionários se candidatarem às rescisões por mútuo acordo, não havendo ainda informação de quantos se mostraram disponíveis para sair por contrapartidas financeiras. Este processo deverá ficar decidido em maio.

Quanto a reformas antecipadas, já terminou o prazo para se candidatarem os trabalhadores da rede comercial, indo abrir o período para os funcionários dos serviços centrais.

No comunicado aos funcionários do Novo Banco, a Comissão de Trabalhadores diz não compreender "o racional de um desenfreado ímpeto em reduzir o número de trabalhadores e balcões" e de externalização de serviços, considerando que essa estratégia tem "perdas relevantes de qualidade de serviço que mais tarde impactarão negativamente nos resultados", já que decorrente disso considera que o banco irá perder clientes e quota de mercado.

Em Outubro passado, o Novo Banco (a instituição que ficou com activos do ex-BES, alvo de medida de resolução em 3 de Agosto de 2014) foi vendido ao fundo de investimento norte-americano Lone Star em 75%, ficando o Fundo de Resolução bancário (entidade na esfera do Estado financiada pelas contribuições dos bancos) com os restantes 25%.

A Lone Star não pagou qualquer preço, tendo acordado injectar 1.000 milhões de euros no Novo Banco, o que já fez.

Para aprovar a venda do Novo Banco, a Comissão Europeia exigiu um novo plano de reestruturação com implicações na dimensão da sua actividade, através de venda ou fecho de operações, assim como redução da sua estrutura e número de trabalhadores.

Em 2017, o Novo Banco teve prejuízos recorde de 1.395,4 milhões de euros, num ano em que constituiu mais de 2.000 milhões de euros de imparidades (provisões para perdas potenciais).

Na sequência deste nível elevado de perdas, o Novo Banco activou o mecanismo de capital contingente negociado com o Estado português, pedindo que o Fundo de Resolução o capitalize num montante de 791,7 milhões de euros.

Uma vez que o Fundo de Resolução não tem todo esse valor, o Estado irá emprestar cerca de 450 milhões de euros ao fundo para capitalizar o Novo Banco.

Ainda quanto à situação laboral, o Novo Banco está a propor aos seus trabalhadores novos acordos relativos ao regime de isenção de horário de trabalho que tem merecido muitas dúvidas de funcionários devido ao receio de que no futuro esse subsídio seja absorvido por eventuais aumentos salariais.

O Sindicato Nacional de Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB) recomendou, em comunicado, aos seus associados que "não assinem este acordo sem que obtenham o devido aconselhamento".



A sua opinião6
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
comentar
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
mais votado Anónimo Há 1 semana

A ruína e atraso de Portugal, face aos seus congéneres europeus mais desenvolvidos e ricos, tem como base o facto de se ter criado em Portugal um sistema que, gradualmente, gerou duas seguranças sociais públicas. Uma oficial e outra oficiosa. A oficiosa é parte integrante não de um Estado de Bem-Estar Social legítimo mas antes de um Estado de Bem-Estar Salarial iníquo e insustentável para sindicalizados, em especial do sector público, que auferem uma onerosa e injustificável prestação social sob a forma de remuneração em clara situação de sobreemprego vitalício ou sobrepagamento em crescendo, mesmo quando o preço de mercado para as tarefas que realizam não pára de descer nos mercados mundiais ou a procura, em variadíssimos casos, pura e simplesmente desapareceu se é que alguma vez existiu. Os 4000 colaboradores a menos na banca lusa em 2017, tirados a ferros de forma tardia, cara e incompleta, foram apenas a ponta de um vergonhoso icebergue que as esquerdas teimam em querer esconder.

comentários mais recentes
Anónimo Há 1 semana

O parasitismo económico-social tem limites.

Anónimo Há 1 semana

Já são subsidiados há tempo demais. Isto é gatunagem. São elegíveis para o rendimento mínimo da segurança social, mas se querem mais que façam alguma coisa que preste e deixem de roubar seus meliantes!

Anónimo Há 1 semana

A ruína e atraso de Portugal, face aos seus congéneres europeus mais desenvolvidos e ricos, tem como base o facto de se ter criado em Portugal um sistema que, gradualmente, gerou duas seguranças sociais públicas. Uma oficial e outra oficiosa. A oficiosa é parte integrante não de um Estado de Bem-Estar Social legítimo mas antes de um Estado de Bem-Estar Salarial iníquo e insustentável para sindicalizados, em especial do sector público, que auferem uma onerosa e injustificável prestação social sob a forma de remuneração em clara situação de sobreemprego vitalício ou sobrepagamento em crescendo, mesmo quando o preço de mercado para as tarefas que realizam não pára de descer nos mercados mundiais ou a procura, em variadíssimos casos, pura e simplesmente desapareceu se é que alguma vez existiu. Os 4000 colaboradores a menos na banca lusa em 2017, tirados a ferros de forma tardia, cara e incompleta, foram apenas a ponta de um vergonhoso icebergue que as esquerdas teimam em querer esconder.

Anónimo Há 1 semana

O Estado de Bem Estar-Social só é sustentável se existirem regras e mercados laborais flexíveis juntamente com um mercado de capitais que não seja constantemente distorcido e atacado pelas próprias leis em vigor. Os Nórdicos descobriram isso há muito tempo.

ver mais comentários
Saber mais e Alertas
pub