Banca & Finanças Chineses que compraram Caixa Seguros dizem que Portugal "é um mercado altamente atractivo"

Chineses que compraram Caixa Seguros dizem que Portugal "é um mercado altamente atractivo"

A Fosun está a encarar "outras oportunidades de investimento" em Portugal, depois de ter garantido a compra de 80% do capital da Caixa Seguros por mil milhões de euros.
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Lusa 10 de janeiro de 2014 às 09:05

O consórcio chinês Fosun, vencedor da privatização da Caixa Seguros, qualificou hoje Portugal como "um mercado-chave altamente atractivo" e anunciou que está a encarar "outras oportunidades de investimento" no país.

 

"Portugal é um mercado chave altamente atractivo e corresponde bem à estratégia de expansão global do Fosun", diz o grupo num comunicado enviado à agência Lusa em Pequim.

 

"Estamos também interessados e prestámos atenção a oportunidades de investimento noutros sectores do mercado português, particularmente no imobiliário, turismo e produtos de marca", acrescenta.

 

Fundado em 1992, por jovens licenciados de Xangai, o Fosun é considerado um dos mais lucrativos grupos privados chineses, com participações em dezenas de empresas de vários ramos, chinesas e internacionais, entre as quais o Club Mediterranée.

 

Na quinta-feira, o Governo português anunciou ter aceite a oferta do Fosun para comprar 80% das três seguradoras do grupo da Caixa Geral de Depósitos por 1.000 milhões de euros. O outro candidato, cuja proposta foi rejeitada, era o grupo norte-americano Apollo Management International.

 

Fosun, em chinês, diz-se Fu Xing, expressão que soa como "renovar".

 

Citando o presidente do grupo, Guo Guangchang, conhecido na China como grande admirador de Warren Buffet, o comunicado qualifica a entrada na Caixa Seguros como "um sólido passo na evolução do Fosun Group para o modelo" daquele investidor e multimilionário norte-americano.

 

A Caixa Seguros, que reúne três seguradoras (Fidelidade, Multicare e Cares), é considerada líder do sector em Portugal.

 

A compra de 80% daquele grupo é assumida pelo Fosun Group como "mais uma boa aplicação do modelo de investimento" consagrado na fórmula "combinar o ímpeto de crescimento da China com recursos globais" e um contributo para a "expansão da sua actividade seguradora".

 

O Fosun Group já é accionista de três companhias de seguros, entre as quais a PeakRe, de

 
Fosun, em chinês, diz-se Fu Xing, expressão que soa como "renovar".
 

Hong Kong, na qual detêm 85% do capital.

 

"Há muito que o Fosun Group aspira tornar-se num grupo de investimento orientado para os seguros com capacidades financeiras polivalentes", afirma o comunicado.

 

O Fosun é a terceira empresa chinesa a investir em Portugal, depois da China Three Gorges ter comprado 21,35% do capital da EDP por 2.700 milhões de dólares, há cerca de dois anos, tornando-se no maior accionista da eléctrica portuguesa.

 

A China State Grid, a seguir, pagou 287 milhões de euros por 25% do capital da REN (Redes Energéticas Nacionais) e a Beijing Entreprieses Water Group comprou por 95 milhões de euros a participação francesa na Veolia Portugal.

 

No comunicado enviado à agência Lusa em Pequim, o Fosun Group declara também o seu empenho em "contribuir mais para promover o intercâmbio económico e a cooperação entre a China e Portugal"

 

 

 
Próximos passos da privatização

Contratos de venda assinados em 30 dias

Depois do anúncio de que a Fosun saiu vencedora da privatização, o grupo chinês e a CGD têm um prazo de 30 dias para assinar os contratos de promessa de compra e venda da Fidelidade, Multicare e Cares.

 

Supervisor dos seguros e Concorrência têm de aprovar

Antes da conclusão da venda das três companhias, o Instituto de Seguros de Portugal tem de aprovar a compra de participações qualificadas naquelas empresas, avaliando a idoneidade e a capacidade financeira da Fosun. Também a Autoridade da Concorrência será chamada a pronunciar-se.

 

OPV para vender 5% da Fidelidade a trabalhadores

Para concluir, de vez, a privatização da Caixa Seguros, a CGD terá de realizar uma oferta pública de venda (OPV) destinada a vender 5% da Fidelidade a trabalhadores. As acções serão alienadas com desconto de 5% face ao preço que a Fosun vai pagar. Os títulos que não forem adquiridos pelos colaboradores terão de ser comprados pelo grupo chinês. Só há tranche destinada aos trabalhadores na Fidelidade, uma vez que apenas esta companhia foi nacionalizada.

 

Fosun impedida de vender a sua participação por 4 anos

Nos quatro anos seguintes à efectiva compra da Caixa Seguros, a Fosun não poderá alienar as suas participações. No entanto, segundo o Governo, o grupo chinês já manifestou a sua intenção de manter o investimento nas seguradoras para além desse prazo.

 

Seguros bancários vendidos na CGD por mais 25 anos

A parceria a fechar entre a Fosun e a CGD prevê uma relação exclusiva entre as duas empresas durante 25 anos. Durante este período, a CGD é o único banco em que a Fosun pode vender os seus seguros.

 
China garante mais de metade da receita de privatização

Os investidores chineses foram responsáveis por mais de metade das receitas de privatização realizadas pelo Governo de Pedro Passos Coelho. Com a venda da Caixa Seguros à Fosun, por mil milhões de euros, o investimento chinês nas privatizações portuguesas sobe para 4.090 milhões. O maior investimento foi feito pela China Three Gorges, que pagou 2.700 milhões de euros por 21,35% da EDP. Já a State Grid investiu 390 milhões na compra de 25% da REN.

 

A Fosun passa agora a ser segundo maior investidor chinês em Portugal. As receitas de privatização asseguradas pelos grupos chineses correspondem a 50,5% do total de 8.100 milhões arrecadados por este Governo desde o final de 2011, segundo os números divulgados esta quinta-feira por Manuel Rodrigues, secretário de Estado das Finanças.

 

O bolo total de receitas de privatização inclui ainda a venda em bolsa de 70% dos CTT (579 milhões de euros), a alienação da Ana aos franceses da Vinci (3,08 mil milhões) e a venda de 15% da REN à Oman Oil (202 milhões).




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