Redes Sociais O que é preciso para fazer do Instagram uma carreira a tempo inteiro

O que é preciso para fazer do Instagram uma carreira a tempo inteiro

As empresas podem chegar a investir 1,6 mil milhões de dólares este ano em marketing apenas no Instagram.
O que é preciso para fazer do Instagram uma carreira a tempo inteiro
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Bloomberg 08 de dezembro de 2018 às 20:00

Meghan Young é uma estrela profissional do Instagram. É paga para escalar belas montanhas, fotografar cumes reluzentes e publicar sobre as suas aventuras para os fãs verem. "O meu trabalho é fazer com que pareça fácil, que pareça ser a coisa mais divertida de todos os tempos e que nunca é um trabalho", diz. "Mas é um trabalho."

 

Young, de 33 anos, lucra com empresas que pagam para que ela apresente os seus produtos no seu feed do Instagram e ela faz parte de um ecossistema de influenciadores das redes sociais - possibilitado por milhares de milhões de utilizadores sedentos pelo seu conteúdo e anunciantes ávidos por novas formas de atingir o público jovem.

 

As empresas podem chegar a investir 1,6 mil milhões de dólares este ano com este tipo de marketing apenas no Instagram, que pertence ao Facebook, e até 6,3 mil milhões de dólares ao incluir outras plataformas, como o YouTube e o Twitch, segundo estimativas da agência de marketing Mediakix. Este montante impulsionou o surgimento de influenciadores em todo o mundo, que inundam o Instagram com milhões de publicações com as hashtags #sponsored e #ad todos os anos.

 

Mas a maioria das pessoas que declaram patrocínios provavelmente não ganha o suficiente para viver, salienta o CEO da Mediakix, Evan Asano. Young é uma excepção: ela está a caminho de ganhar entre 50.000 dólares e 100.000 dólares em 2019 como influenciadora em tempo integral com patrocínios e taxas de licença de fotos. Não é o rendimento de uma superestrela, mas no caso Young é o suficiente para pagar as contas.

 

Young promove uma série de produtos e destinos relacionados ao montanhismo. O processo começa com a assinatura de contratos de patrocínio. As empresas fazem ofertas não solicitadas, diz Young, mas ela rejeita a maioria. Muitas destas ofertas não têm nada a ver com as aventuras ao ar livre sobre as quais ela publica - botas para caminhada seriam relevantes, mas maquiagem não - e outras são de empresas concorrentes directas dos seus maiores patrocinadores, com os quais ela mantém relacionamentos que prefere não arriscar.

 

O trabalho não acaba depois de Young tirar as fotos. Quando volta das suas aventuras, Young edita cuidadosamente as imagens e escreve as legendas que as acompanham. E então, quando os "posts" são publicados, as empresas às vezes não pagam no tempo devido. Nestes casos, Young precisa fazer o acompanhamento e enviar novas facturas com cobranças em atraso. A parte que ela menos gosta é quando descobre que uma empresa usou as suas fotos de uma forma que viola os termos do contrato, levando a conversas tensas e demoradas por e-mail.

 

As maiores estrelas das redes sociais contratam agências terceirizadas para esse tipo de trabalho. Em um sinal revelador de um campo em rápido crescimento, existe agora um sector de serviços de apoio voltado especificamente aos influenciadores. Mas as agências ficam com uma parcela dos lucros dos influenciadores - geralmente entre 20% e 30%, no caso das estrelas maiores, e entre 30% e 50%, no caso das menores -, sendo por isso apenas financeiramente viável para quem conta com um número significativo de seguidores. Com 185.000 seguidores, é provável que Young esteja perto de precisar de representação. Young desconfia há tempos das comissões pedidas pelas agências, mas com a chegada de mais negócios, as tarefas administrativas estão a acumular-se.

 

(Texto original: What It Takes to Make Instagram a Full-Time Career: Next Jobs)