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O concurso que não tinha data para terminar terminou. Sem sucesso.

Quando foi lançado o concurso da alienação do Novo Banco, Stock da Cunha queria ver uma "fila de compradores". Houve 17 manifestações de interesse, de onde surgiram os três finalistas. Não foram suficientes. O concurso caiu.

Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 15 de Setembro de 2015 às 17:15
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"Uma oportunidade única para adquirir uma marca líder da banca portuguesa com presença em operações europeias e internacionais". Esta era a frase que se encontrava na primeira página do "teaser" lançado pelo BNP Paribas, consultor financeiro do Banco de Portugal na venda do Novo Banco.

 

A 4 de Dezembro de 2014, foi lançado o concurso internacional. Prometia-se um "processo aberto, transparente, não-discriminatória e competitivo". Quem quisesse comprar o banco criado quatro meses antes, na sequência da resolução do Banco Espírito Santo, tinha de ter 500 milhões de euros em activos, não ter sido alvo de condenações específicas relacionadas com a banca e não ter sido accionista qualificado do BES nos dois anos anteriores à criação do Novo Banco.

 

O processo foi lançado um dia depois de Eduardo Stock da Cunha ter dito que o banco estava a "recuperar valor", o que o fazia antever uma "fila de compradores" pela instituição, quando já havia um balanço que fazia uma radiografia à instituição financeira.

 

"Processo de venda do Novo Banco vai ter quatro fases e não tem data de término", titulou, então, o Negócios.


Fase I – Fase de Manifestações de Interesse

 

Os interessados tinham de enviar manifestações de interesse até ao final de 2014. "17 entidades manifestaram interesse no procedimento de alienação do Novo Banco dentro do prazo fixado (até às 17h00 de 31 de Dezembro de 2014). Por motivos de confidencialidade, o Banco de Portugal, enquanto promotor da transacção, não tornará pública nesta fase a lista daquelas entidades". Estava aberta a Fase I da venda do Novo Banco.

 

Nunca os nomes das entidades que estavam na corrida pelo Novo Banco foram revelados. Nem nesta nem nas fases seguintes.

 

Entre os interessados encontravam-se bancos, seguradoras e fundos de "private equity", vindos de Ásia, Estados Unidos e Europa. Havia confirmação de que os bancos BPI, Santander, Popular, o grupo chinês Fosun, o fundo americano Apollo e ainda a associação de cidadãos ANANOB estavam na corrida. Viria a saber-se que o BBVA também estava na lista, tal como a Anbang, empresa chinesa da área de seguros, e o Bank of China.


Fase II - Fase de Propostas Não-Vinculativas

 

Depois da fase das manifestações, o Banco de Portugal verificou se os potenciais compradores cumpriam os pré-requisitos exigidos. A 16 de Fevereiro, veio a confirmação: 15 entidades cumpriram as exigências. O Negócios noticiou que a Associação de Cidadãos Nacionais para a compra do Novo Banco, conhecida como ANANOB, foi excluída da lista porque o regulador não tinha certezas sobre a sua capacidade financeira.

 

As potenciais compradoras que ficaram foram convidadas a assinar um acordo de confidencialidade. Receberam informações sobre o Novo Banco. Foram convidadas a apresentar propostas não-vinculativas até 16 de Março.


Antes do final da data, soube-se que o BBVA se auto-excluiu da operação. O Popular e o Bank of China também não fizeram propostas.

 

A 24 de Março, o Banco de Portugal informa que foram recebidas sete propostas não vinculativas pelo Novo Banco, ainda que, ao todo, nove entidades tenham confirmado o interesse anteriormente manifestado.

 

Fase III - Fase de Propostas Vinculativas

 

O Banco de Portugal arranca com mais uma fase. A 17 de Abril, depois de analisadas as sete propostas não vinculativas, selecciona cinco entidades. "BPI excluído da corrida à compra do Novo Banco", noticiara, dias antes, o Negócios. O banco liderado por Fernando Ulrich encontrava-se num impasse accionista: estava a ser alvo de uma oferta pública de aquisição por parte do seu accionista CaixaBank, e havia a intenção alternativa de se estudar uma fusão com o BCP. Ambas caíram.

 

"O Banco de Portugal convidará as entidades seleccionadas a apresentarem, até ao final de Junho de 2015, propostas vinculativas para aquisição do Novo Banco. Neste período, puderam fazer um controlo apertado da situação do banco através do processo de "due dilligence", indicava o regulador.

 

Fase IV - Decisão final

 

Das cinco entidades, apenas três apresentaram propostas vinculativas, anunciou o banco no final de Junho. Anbang, Apollo e Fosun foram as três finalistas do concurso, que receberam informações adicionais sobre a instituição financeira liderada por Stock da Cunha, nomeadamente os resultados semestrais, com prejuízos de 251,9 milhões de euros. Ainda houve convites para melhorias das propostas mas sem agradar ao regulador. 

 

A seguradora chinesa foi a primeira a sentar-se à mesa das negociações, mas o fracasso foi total. Abriu-se a fase de negociação com o segundo grupo chinês, a Fosun, mas o preço afastou-o do Banco de Portugal. Foram feitos contactos exploratórios com a Apollo.
 

Não houve acordo. 

 

Nove meses depois, o concurso que começou sem data para terminar terminou. Mas sem conclusão positiva. Pelo caminho, deverá surgir um novo procedimento. 

 

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