Banca & Finanças O dia em que Salgado disse ao BdP que tinha urgência em nomear Morais Pires como CEO

O dia em que Salgado disse ao BdP que tinha urgência em nomear Morais Pires como CEO

20 de Junho. Dias depois do fim do aumento de capital. As acções do BES são suspensas. Os accionistas fazem pressão. É preciso saber quem é o novo CEO. Salgado pede autorização ao BdP. O regulador coloca reticências.
O dia em que Salgado disse ao BdP que tinha urgência em nomear Morais Pires como CEO
Reuters
Diogo Cavaleiro 09 de dezembro de 2014 às 13:37

Na audição desta terça-feira, 9 de Dezembro, Ricardo Salgado perdeu algum tempo a relatar o dia 20 de Junho de 2014. O dia em que o nome de Amílcar Morais Pires foi tornado público como sendo o seu sucessor.

 

Nesse dia, quatro dias depois de liquidação de acções do aumento de capital, as acções do BES foram suspensas em bolsa. "Não tínhamos dito no anúncio do aumento de capital quem era os novos nomes de membros da nova comissão executiva".

 

Ricardo Salgado contou aos deputados, no inquérito parlamentar, que começou a receber telefonemas de investidores estrangeiros institucionais que estavam preocupados com a suspensão das acções determinada pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

 

Mas também de Portugal havia telefonemas. De João Moreira Rato, à data presidente do IGCP, agência que gere a dívida pública portuguesa. "Estava preocupadíssimo, a contar que os ‘spreads’ do banco estavam a alargar, tal como os da dívida pública", disse, relatando Salgado telefonemas que lhe foram transmitidos.

 

"Tento entrar em contacto com o governador. Não consigo", conta.

 

Assim, pelas 12h27 daquele dia, Ricardo Salgado envia um e-mail a Carlos Costa. Aí, pedia "com urgência" a autorização para darmos indicação de Amílcar Morais Pires como próximo presidente executivo do BES, seu sucessor, portanto. Nesse e-mail, dada conta dos contactos dos institucionais, como a BlackRock, e também das preocupações de Moreira Rato. Salgado queria que o ESFG avançasse com a proposta de novos nomes.

 

Às 13h35 vem a resposta de Carlos Costa, também por e-mail. O governador respondeu que não estava em condições de validar o nome proposto. Era necessário tempo. Mas nesse e-mail foi dito que o grupo comunicasse a sua proposta, ainda que esclarecendo que faltava o juízo de idoneidade por parte do regulador. Salgado relembrou que Morais Pires esteve 28 anos no banco sem nunca ter sido questionada a sua idoneidade.


"Será quem o senhor presidente entender", terá dito Costa a Salgado.

 

Às 14h04, sai o comunicado do ESFG no site da CMVM, com a indicação do novo CEO proposto. Morais Pires acabou por se ver rejeitado pelo Banco de Portugal.

 

O sucessor de Salgado acabou por ser Vítor Bento. 




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