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O "elefante branco" Europarque quer ser "o castelo do séc. XXI" da Feira

O Estado assumiu a dívida de 30 milhões de euros deixada pela AEP e cedeu gratuitamente o Europarque à Câmara de Santa Maria da Feira, que já tem plano de viabilidade para o maior centro de congressos de Portugal. A autarquia quer pôr o complexo a dar lucros dentro de três anos.

Paulo Duarte
Rui Neves ruineves@negocios.pt 26 de Janeiro de 2016 às 15:00
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"Este projecto é uma âncora, um símbolo, que vai contribuir para a internacionalização do país. É um exemplo", garantia, em 1995, quando da inauguração do Europarque, Ludgero Marques, o então presidente da Associação Industrial Portuense, entretanto redenominada Associação Empresarial de Portugal (AEP).

O governo cavaquista de então tinha dado um aval estatal ao financiamento de 35 milhões de euros para a construção do maior centro de congressos do país. Com o passar dos anos, o Europarque converteu-se num enorme "elefante branco".

No Verão de 2008, Marques deixou a cadeira da presidência da AEP para José António Barros, que encontrou uma associação financeiramente exaurida. Sobre o Europarque, o sucessor do mentor do "elefante branco" não foi meiguinho na avaliação: "O Europarque é um disparate. Foi e é um ‘flop’. Temos 14 anos de experiência sobre isso", afirmou Barros escassos dois meses após ter assumido o cargo.

Acontece que a proprietária do Europarque apenas tinha pago, até então, 4,7 milhões dos 35 milhões de euros avalizados pelo Estado. Em Outubro de 2011, terminado o prazo para pagar oito milhões de euros aos três sindicatos bancários, liderados pelo BPI, a associação entrou em incumprimento.

O Estado foi obrigado a chegar-se à frente, assumindo uma dívida superior a 30 milhões de euros. O Europarque foi então nacionalizado. À força do incumprimento dos privados. No meio do turbilhão, em Novembro de 2011, Ludgero Marques, em declarações ao Negócios, insistia: "O Europarque não é nenhum 'flop'. Foi e é uma obra fantástica. Mais nada!"

Com o maior centro de congressos nas mãos, sem saber muito bem como rentabilizar o complexo, o Governo acabou por aprovar, há um ano, a passagem do Europarque, a custo zero e por um prazo de 50 anos, para a Câmara Municipal de Santa Maria da Feira.

No final do ano passado, a AEP cedeu ao município, também a custo zero, a propriedade dos terrenos circundantes, numa área de 310 mil metros quadrados, que serão transformados no parque da cidade.

Já sob a gestão da autarquia, o Europarque foi palco de 30 eventos, promovidos por entidades externas, na segunda metade de 2015, tendo gerado um rendimento médio de 4.500 euros por evento. Para este ano, o plano de viabilidade do Europarque estima a realização de 87 eventos.

Com um custo médio anual de 500 mil euros para obras de manutenção, que serão candidatados a fundos comunitários, o Europarque vai ser alvo de promoção em feiras no estrangeiro com vista a reforçar a sua presença no circuito internacional de congressos e exposições.

O plano de viabilidade do Europarque confirma, entretanto, o que o presidente da Câmara da Feira tinha já avançado em Outubro passado: "Admitimos que nos próximos dois anos as receitas não cubram as despesas, mas daqui a três anos, dependendo da dinâmica a incutir no equipamento, o Europarque vai ter resultados positivos", garantiu Emídio Sousa.

O "euroburaco" firmou assim "uma segunda vida", com o presidente da autarquia a acreditar que o Europarque "será o 'castelo' do século XXI para Santa Maria da Feira".

(notícia corrigida às 16h59, com substituição da designação "Associação Empresarial do Porto" por "Associação Industrial Portuense")

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