Banca & Finanças O que disse a líder da Ernst & Young na 12ª audição da comissão de inquérito ao Banif

O que disse a líder da Ernst & Young na 12ª audição da comissão de inquérito ao Banif

Numa audição em que foi sempre pedindo esclarecimentos sobre as perguntas feitas, e em que deu respostas telegráficas, a responsável da Ernst & Young percorreu a ligação da auditora ao Banif entre 2008 e 2013.
O que disse a líder da Ernst & Young na 12ª audição da comissão de inquérito ao Banif
Bruno Simão/Negócios
Diogo Cavaleiro 20 de abril de 2016 às 21:27

"O comendador tinha uma intervenção na gestão relevante. A sua falta veio trazer alterações", admitiu Ana Salcedas na audição desta quarta-feira, 20 de Abril, da comissão de inquérito ao Banif. Horácio Roque, fundador do banco, morreu em 2010, ano em que foi substituído por Joaquim Marques dos Santos.

 

Marques dos Santos já esteve no inquérito ao Banif e assumiu que houve problemas da gestão que liderava no acompanhamento à subsidiária brasileira. Há, aliás, investigações em curso. Mas a responsável não quis falar muito sobre o Brasil. Aliás, invocou o sigilo, à luz da lei brasileira, para não se prolongar muito sobre o tema. 

Em 2012, quando iniciou funções, a equipa de gestão de Jorge Tomé deparou-se com uma situação que classificou como muito difícil na subsidiária do Banif como Brasil. "Fui informada sobre a situação", respondeu Ana Salcedas, da auditora que foi responsável por certificar as contas do grupo Banif entre 2008 e 2013. Na audição desta quarta-feira, 20 de Abril, e quando questionada sobre quando foi informada, a resposta foi "quando surgiu".

 

"A Ernst & Young, como auditora do grupo, e como é normal nas circunstâncias de auditoria às contas consolidadas, faz instruções específicas para os auditores locais e recebe informações ou relatórios, conforme requerido. Faz o devido acompanhamento desses relatórios, quer ao nível de auditores, quer da própria administração", continuou Ana Salcedas. Para a responsável da auditora, "esse procedimento foi integralmente cumprido".

 

A situação da sucursal no Brasil, que obrigou à constituição de imparidades que foram prejudicando as contas nos últimos anos do Banif, tem sido apontada como relevante para a queda da instituição financeira.

 

Auditora nunca viu relatório que critica viabilidade do Banif

 

"O nosso trabalho e as nossas funções não incluem a análise de planos de viabilidade. Inclui fazer procedimentos de opinião sobre as contas", declarou Ana Salcedas no inquérito ao Banif. A auditora recusou ter tido acesso ao relatório do Citigroup, do final de 2012, que falava na possível falta de viabilidade do banco mas que não impediu a recapitalização de 1,1 mil milhões de euros de dinheiros públicos na entidade.  

 

Quanto a essa capitalização, a "Ernst & Young não teve envolvimento, tendo tomado conhecimento da evolução por informações da comissão executiva do banco".

 

Em relação às operações cruzadas entre o grupo do Banif e o grupo do BES, que António Varela (antigo administrador do Banco de Portugal) diz servirem para enganar o regulador, Ana Salcedas garantiu que "foram analisadas no âmbito de auditoria no contexto e informação de cada momento". 




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