Banca & Finanças Observador: BESA concedeu mais mil milhões em créditos irregulares que o estimado

Observador: BESA concedeu mais mil milhões em créditos irregulares que o estimado

Em vez dos 5,7 mil milhões de dólares concedidos e que tinham destinatários desconhecidos, o BESA deverá ter afinal emprestado 6,8 mil milhões de dólares. Uma diferença de mil milhões de euros que a justiça portuguesa investiga.
Observador: BESA concedeu mais mil milhões em créditos irregulares que o estimado
Negócios 22 de abril de 2016 às 13:50

O Banco Espírito Santo Angola concedeu mais créditos alegadamente irregulares do que o inicialmente estimado, de acordo com o Observador, que cita dados das investigações que decorrem em Portugal ao Universo Espírito Santo.

 

Até aqui, a ideia sempre tinha sido a de que o BESA tinha concedido, entre 2009 e 2013, créditos de 5,7 mil milhões de dólares (5 mil milhões de euros) a que se tinha perdido o rasto dos beneficiários. Em Junho do ano seguinte, o Expresso deu conta que a administração de então do banco, liderada por Rui Guerra, desconhecia a quem tinham sido dados aqueles empréstimos já que eram atribuíveis à gestão anterior, sob o comando de Álvaro Sobrinho (na foto). 

 

O Observador conta que as investigações que correm termos no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) ao Universo Espírito Santo descobriram agora que a filial angolana do BES concedeu créditos com destinatários desconhecidos na ordem dos 6,8 mil milhões de dólares (6 mil milhões de euros).

 

Há suspeitas de que o dinheiro concedido pelo BESA a beneficiários que não estão identificados possa ter sido auferido por entidades ligadas a Álvaro Sobrinho mas também a altos titulares de cargos políticos angolanos e ainda entidades do Grupo Espírito Santo.

 

O tema BESA está a ser investigado pelo Ministério Público no âmbito dos vários inquéritos denominados Universo Espírito Santo, que têm vários arguidos constituídos entre os quais Ricardo Salgado, antigo presidente executivo do BES. A elevada exposição do banco português à filial angolana, que tinha um descontrolo nos créditos concedidos, acabou por pesar na sua queda. O BES foi alvo de uma intervenção, com perdas para accionistas e detentores de dívida, a 3 de Agosto de 2014, levando à divisão entre um banco com os activos saudáveis, Novo Banco, e um outro com activos considerados tóxicos, que manteve a denominação BES e vai agora entrar em liquidação.

 

O Banco de Portugal já avançou também com uma acusação que visa 18 entidades e personalidades no processo que envolve o BESA. O Parlamento português constituiu uma comissão parlamentar de inquérito em que as relações com o BESA foram as mais difíceis de escrutinar. 

Neste momento, o BESA já não existe. Foi alvo de uma intervenção em Angola logo após a resolução do BES e tornou-se no Banco Económico. O Novo Banco tem empréstimos a receber da entidade - 397 milhões até ao final de Abril, mas a PwC considera que há incertezas sobre se vai haver devolução. 


 




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