Banca & Finanças Os desafios do próximo presidente da Caixa

Os desafios do próximo presidente da Caixa

A liderança da CGD está prestes a mudar. O novo presidente tem pela frente vários desafios, como dar a volta ao banco do Estado e regressar aos lucros. Há ainda que reforçar a aposta nas empresas, desígnio definido pelo primeiro-ministro.
Os desafios do próximo presidente da Caixa
Cátia Barbosa/Negócios
Maria João Gago 15 de março de 2016 às 13:21

A poucas semanas da nomeação da nova administração da Caixa Geral de Depósitos, é possível antecipar os principais desafios do novo presidente do banco do Estado. Descubra quais serão as principais dores de cabeça do próximo homem-forte da CGD.

 

Reestruturar


Dar a volta à Caixa será a principal prioridade do novo presidente do banco. Se a equipa de José de Matos focou a CGD no seu negócio principal – vendendo participações financeiras em empresas cotadas, tal como impôs a troika – e procurou cortar custos, a nova administração tem um trabalho profundo de reestruturação para concluir. É necessário ir mais longe nos cortes de pessoal – está em curso um plano de reformas antecipadas que terá de ser acelerado – e prosseguir o esforço de redução dos gastos operacionais.


Mas a reestruturação da Caixa poderá passar ainda pelo negócio, sobretudo através da adaptação à nova realidade digital. Será necessário reforçar a presença do banco do Estado nas empresas e aumentar a sua aposta na digitalização.


A reorganização poderá ser ainda mais profunda em função de eventuais medidas de reestruturação que possam a vir a ser impostas por Bruxelas, no quadro da capitalização da CGD, que terá sempre de ser aprovada pela Direcção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia (DGComp, na sigla inglesa).

 

Recuperar rentabilidade


É a pensar na recuperação da rentabilidade da Caixa que é indispensável aprofundar a reestruturação da instituição. Nos últimos cinco anos, o banco do Estado teve um prejuízo acumulado de quase 2.000 milhões de euros – o último exercício em que houve resultados positivos foi 2010, altura em que o banco lucrou 250,6 milhões de euros.


O ainda presidente da CGD, José de Matos, admitiu na apresentação dos resultados de 2015, que o banco venha a ter lucros já este ano. Mas esta meta pode ser condicionada pela profundidade do plano de reestruturação que venha a ser implementado pela próxima equipa de gestão.


Certo é que o regresso da Caixa a uma trajectória sustentada de lucros é indispensável para que a instituição consiga reforçar a sua solidez pelos seus próprios meios. Para já, o banco ainda não conseguiu dar este passo, o que vai exigir que o Estado volte a injectar dinheiro público na CGD. Uma decisão que poderá ajudar na tarefa de pôr a Caixa a dar lucros, caso o aumento de capital implique o fim dos instrumentos de capital contingente ("CoCos") subscritos pelo Tesouro e que têm associado um custo de mais de 90 milhões de euros por ano.

 

Reforçar solidez


Para conseguir reforçar a sua solidez pelos seus próprios meios, a CGD necessita de voltar a ter lucros. No entanto, face às crescentes exigências a que o banco está sujeito – a partir de Janeiro tem de ter uma almofada de capital adicional de 0,75% e, entretanto, será submetido aos novos testes de stress do Banco Central Europeu – o Governo já decidiu que vai aumentar o capital da Caixa.


Em causa poderá estar uma injecção superior a 1.000 milhões de euros. A dimensão do aumento de capital dependerá do destino dos 900 milhões de euros de instrumentos de capital contingente ("CoCos") que o Tesouro subscreveu em 2012 para fazer face a parte das necessidades de capital da instituição na altura – além disso, no mesmo momento foram injectados mais 750 milhões no capital.


Os "CoCos" podem ser convertidos em capital, reduzindo o esforço a realizar agora, ou pode ser necessário mais dinheiro público para que a Caixa possa reembolsar estes 900 milhões. Mas, na prática, estará sempre em causa o mesmo esforço de capitais públicos.


Certo é que Bruxelas terá uma palavra decisiva na forma como será feita a capitalização da CGD, uma vez que a instituição está sujeita às regras das ajudas estatais. Além disso, a DGComp poderá ainda impor medidas de reestruturação à Caixa, como contrapartida pela nova injecção de capital.

 

Apoiar as empresas


Reforçar o papel da Caixa no apoio às empresas portuguesas, designadamente, na sua internacionalização será outra das prioridades do novo presidente da CGD. Esta aposta estratégica surge como indispensável face às declarações do primeiro-ministro sobre o desígnio do banco público.


Em recente entrevista ao Expresso, António Costa deixou claro que o Governo vai aumentar o capital da Caixa para que esta se mantenha "100% pública e, além disso, [seja] um pilar de estabilidade do nosso sistema financeiro e de capacidade de internacionalização das empresas públicas".


A equipa de José de Matos fez um esforço para aumentar a penetração da CGD junto das pequenas e médias empresas. Mas esta aposta terá de continuar até porque a quota de mercado da instituição neste negócio (abaixo de 20%) é muito inferior ao peso natural da Caixa no mercado bancário (superior a 25%).




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