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Parques eólicos e solares estão em risco com falta de engenheiros no Estado

Os processos para construir novos parques solares e eólicos não param de entrar no Estado, mas o organismo que aprova os licenciamentos tem falta de profissionais qualificados. O sector das renováveis receia que o atraso nas aprovações venha a impedir projectos de sair do papel.

Bloomberg
André Cabrita-Mendes andremendes@negocios.pt 03 de Dezembro de 2015 às 18:08

O Estado tem dois mil megawatts de renováveis para aprovar mas faltam engenheiros. A falta de quadros na Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) está a provocar uma acumulação dos projectos. Esta situação pode vir a travar projectos e foi hoje exposta durante a conferência anual da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN).

 

"A DGEG, que é mais do que auto-sustentável financeiramente, está muito descapitalizada de capital humano, de técnicos", disse o presidente da APREN esta quinta-feira, 3 de Dezembro, à margem da conferência que decorreu no Estoril. "E têm-lhe sido atribuídas funções crescentes, diminuindo o quadro de pessoal. Isto tem de ser revisto, não só ao nível da Secretaria de Estado da Energia do Ministério da Economia, como com o Ministério das Finanças que parou a contratação de novos técnicos", afirmou Sá da Costa.

 

Nos últimos anos, os técnicos da DGEG que passaram à reforma não têm sido substituídos e "formar um técnico nesta área leva alguns anos a fazer. Receio que isso possa pôr em causa a implementação desses projectos", alertou o líder da APREN que representa 94% das renováveis em Portugal.

 

A DGEG reconhece que a falta de pessoal está dificultar o processo de licenciamento de novos projectos. Actualmente, 1.924 megawatts de energia renovável estão na gaveta à espera de ver a luz do dia. A solar é responsável por 91% dos projectos.

 

"Temos consciência que não é suficiente e estamos a trabalhar numa proposta para haver uma forma de hierarquização e de prioritização dos pedidos, de forma a ser mais fácil a gestão", começou por dizer o director-geral da DGEG. "Além disso, a DGEG é deficitária nos recursos humanos. Em 2015, conseguimos atrair algumas pessoas mas não é uma tarefa fácil", admitiu.

 

Carlos Almeida explicou que nos últimos dois anos a DGEG recorreu ao instituto que forma quadros para o Estado, o INA, para contratar técnicos superiores, mas que este ano "não havia um único engenheiro electrotécnico, um único engenheiro mecânico. Assim é complicado colocar pessoas de forma a capacitar a DGEG".

 

A DGEG está presente no Porto, Coimbra, Lisboa, Évora e Faro e "em qualquer um dos sítios nós estamos a precisar de engenheiros electrotécnicos. Venham eles".  O responsável pelo organismo que dá luz verde à construção de centrais solares ou eólicas em Portugal, sublinhou a dificuldade de contratar pessoal. "Não é fácil.  Primeiro, para ter autorização para os contratar, depois, mesmo com autorização, não é fácil porque eles não estão lá".

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