Indústria Partidos querem conhecer situação das ajudas à Unicer

Partidos querem conhecer situação das ajudas à Unicer

A Unicer fechou a fábrica de Santarém mais cedo do que o antecipado. O PSD questionou o Governo sobre os valores atribuídos pelo Estado. O PS quer saber se os pagamentos estão mesmo suspensos. A empresa diz que respeita compromissos.
Partidos querem conhecer situação das ajudas à Unicer
Paulo Duarte
Diogo Cavaleiro 08 de janeiro de 2016 às 16:58

A situação na Unicer, que vai encerrar a fábrica de Santarém no âmbito de uma reestruturação que pode implicar até 140 despedimentos, já levou a questões por parte do Partido Social Democrata e do Partido Socialista. O tema é o mesmo, ainda que o primeiro dirija as questões para o Ministério da Economia e o segundo para o Ministério do Planeamento e Infra-estruturas. O Negócios fez perguntas sobre o tema ao Governo e foi ainda remetido para o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

 

Regressando às perguntas, o Partido Social Democrata, por um lado, quer saber "quais os valores atribuídos pelo Estado Português, seja através dos programas comunitários, QREN e PT2020, seja em financiamentos individuais, à empresa Unicer S.A., desde 2012".


Por outro lado, tendo havido um financiamento à cervejeira que produz a SuperBock, haverá algum tipo de consequências para os contratos entre o Estado e a Unicer, "nomeadamente com a AICEP e a IAPMEI", depois do encerramento da fábrica de Santarém (Rical), questiona o grupo de deputados social-democratas eleitos por Santarém, liderado por Nuno Correia, numa questão dirigida ao Ministério da Economia, tutelado por Manuel Caldeira Cabral.

 

Ajudas suspensas?

 

Da mesma forma, o partido rival PS – pela voz de um grupo presidido por António Gameiro – também fez perguntas, desta vez ao Ministério do Planeamento, sob o comando de Pedro Marques. "Estão realmente suspensos os pagamento à UNICER pelos projectos que se encontra a desenvolver e que beneficiam de fundos comunitários? Quer no âmbito do QREN quer já no âmbito do Portugal 2020? E qual o montante em causa dos pagamentos suspensos?"

 

Esta questão prende-se com a notícia, em Outubro, de que o presidente da Câmara de Santarém informava que o ministro da Economia, então António Pires de Lima (que antes de integrar o Governo era presidente da cervejeira), mandou suspender os pagamentos à Unicer até haver um esclarecimento sobre o encerramento da fábrica de refrigerantes em Santarém.

 

Esta quinta-feira, 7 de Janeiro, foi noticiado que o fecho da unidade será concretizado no final de Janeiro (e não em Abril, como inicialmente previsto), afectando 140 trabalhadores (65 já rescindiram numa primeira fase, outros 70 irão receber salário até Abril apesar do fecho da fábrica). O que motivou as perguntas dos partidos.

 

O encerramento antecipado

 

Ao Negócios, o Ministério da Economia adiantou que só pode responder por um financiamento de 180 mil euros à Unicer, através do IAPMEI, que não é dirigido para a fábrica de Santarém. O restante compromisso financeiro, a existir, está nas mãos do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que tem a tutela da AICEP. Ainda não foi possível obter um esclarecimento por parte da pasta liderada por Augusto Santos Silva.

 

Em Outubro, aquando do anúncio oficial do despedimento, foi dito ao Negócios pelo Ministério da Economia que havia dois contratos que incluíam investimentos em Leça do Balio (onde continua o fabrico de cervejas) e em Santarém, que envolvem cerca de 23 milhões de euros. Mas o Ministério não dispunha de informação sobre todo o processo, pelo que havia montantes de investimento co-financiados pelo Estado que não estavam aqui incluídos.

 

Investimento co-financiado em 3,7 milhões

 

Ao Negócios, a cervejeira, liderada por Rui Lopes Ferreira (na foto), "reitera que cumpre de forma integral com todos os seus compromissos e que o valor do investimento co-financiado na sua unidade de refrigerantes – a Rical - é de 3,7 milhões de euros".

 

Questionada sobre a suspensão de pagamentos, foi dito pela empresa que "não há mais nada a acrescentar".

 




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