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Passivo de 7,6 mil milhões levou Honório a recusar presidência da Rioforte em 2014

José Honório rejeitou o convite para ser presidente da Rioforte, devido à elevada dívida do grupo. Contudo, aceitou participar em reuniões com políticos para pedir ajuda ao GES.

Miguel Baltazar/Negócios
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A dívida da área não financeira do Grupo Espírito Santo foi o motivo para que José Honório, antigo presidente da Portucel, recusasse a liderança da Rioforte, segundo o que disse na comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do GES, esta quinta-feira, 29 de Janeiro.

 

Em Março de 2014, já depois da saída da papeleira detida por Pedro Queiroz Pereira, Ricardo Salgado e José Manuel Espírito Santo convidaram Honório para ser presidente da comissão executiva da Rioforte. O "desafio" era "reestruturar e desenvolver a carteira de negócios do ramo não financeiro" daquela que era a empresa de topo da área não financeira do Grupo Espírito Santo.

 

Honório só iria aceitar depois de conhecer melhor a empresa. Daí que tenha pedido informações financeiras sobre a Rioforte e a Espírito Santo International, esta última accionista única da primeira.

 

Só a 7 de Abril de 2014 foi informado de que a ESI teria um passivo financeiro da ordem dos 4,7 mil milhões de euros. Era esta a empresa que tinha passivo escondido. "Adicionada a dívida da Rioforte, perfazia um total de passivo de 7,6 mil milhões de euros".

 

Com esses dados nas mãos, Honório reuniu-se com vários membros do conselho superior para transmitir "que não estaria disponível para aceitar o convite para presidir à comissão executiva da Rioforte". O projecto que lhe tinha sido proposto "não seria exequível, dada a situação financeira da empresa e do Grupo GES, que apontava para a alienação da totalidade dos activos não financeiros da Rioforte para reembolsar dívida própria e da ESI".

 

Apesar de ter recusado a presidência da Rioforte, José Honório aceitou o convite para assessorar o grupo em conversas privadas com membros do conselho superior em que ajudasse à reestruturação do grupo. Também participou em encontros com personalidades políticas, como o primeiro-ministro, o vice-primeiro-ministro, a ministra das Finanças, Carlos Moedas e o ex-presidente da Comissão Europeia Durão Barroso.

 

Nesses encontros, alguns dos que Ricardo Salgado teve com vários políticos (e que revelou novamente em carta enviada à comissão), era transmitido que o GES precisaria de ajuda para impedir uma falência desordenada com impacto em todo o sistema financeiro. 

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