Banca & Finanças Passos diz que governador do Banco de Portugal tem condições para cumprir mandato. Cristas quer mudar gestão "antiquada" 

Passos diz que governador do Banco de Portugal tem condições para cumprir mandato. Cristas quer mudar gestão "antiquada" 

O líder do PSD defendeu hoje, na Trofa, que "os órgãos independentes devem ser valorizados na sua independência", sublinhando que não conhece qualquer facto que impeça o governador do Banco de Portugal de fazer o seu mandato.
Passos diz que governador do Banco de Portugal tem condições para cumprir mandato. Cristas quer mudar gestão "antiquada" 
Miguel Baltazar
Lusa 04 de março de 2017 às 14:19

Pedro Passos Coelho defendeu que Calos Costa tem condições para fazer o seu mandato e criticou "o Governo e a maioria que o acompanha" por "amesquinhar ou mesmo ameaçar" quem se pronuncia de uma forma que "não seja simpática para o que esta quer ouvir".

 

"Não conheço nenhum facto que, há luz das disposições legais, impeça o governador Carlos Costa de fazer o seu mandato. Tenho assistido ao longo de mais de um ano a ataques políticos muito fortes que são dirigidos pessoalmente ao governador e não apenas ao Banco de Portugal", disse Pedro Passos Coelho, à margem de uma visita à 71.ª edição da Feira Anual de Agropecuária da Trofa, distrito do Porto.

 

O líder do PSD defendeu que "o governador tem um estatuto de independência que deve ser respeitado" e lamentou que "normalmente a maioria que governa o país atualmente não respeite a independência destas autoridades".

 

"Não tem mostrado esse respeito e isso preocupa e julgo que é lamentável. Observamos isso em relação ao governador do Banco de Portugal e também em relação à presidente do Conselho de Finanças Públicas", disse.

 

Passos Coelho considerou "indecoroso" que "vários dirigentes partidários" se proponham a "amesquinhar e desqualificar ou mesmo ameaçar com alterações legais sempre que órgãos independentes se pronunciam de uma forma que não seja simpática para aquilo que o Governo ou a maioria quer ouvir".

 

"Isso é preocupante, porque em democracia temos de estar preparados para ouvir críticas (…). Os órgãos independentes devem ser valorizados na sua independência (…). O primeiro-ministro devia corrigir muito rapidamente essa atitude", disse Pedro Passos Coelho.

 

Na sexta-feira a coordenadora do Bloco de Esquerda reafirmou que o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, "não tem condições" para se manter em funções, devido às "várias falhas graves" que tem demonstrado na supervisão da banca.

 

Já o primeiro-ministro, António Costa, afirmou que tem trabalhado com o governador do Banco de Portugal "de forma leal e construtiva".

 

CDS-PP quer melhorar organização e gestão "antiquada" do Banco de Portugal 

 

A líder do CDS-PP, Assunção Cristas, defendeu hoje que deve ser melhorada a organização e gestão interna do Banco de Portugal, que classificou como "muito antiquada".

 

"Em relação à supervisão, em geral, entendemos que há afinamentos e melhoramentos que devem ser feitos, desde logo sobre a forma de organização e de gestão dentro do próprio Banco de Portugal, que nos parece muito antiquada", disse aos jornalistas a dirigente centrista à margem de uma visita a um bairro de Lisboa onde na segunda-feira ocorreu uma derrocada de terras.

 

Questionada sobre o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, a líder do partido referiu que "respeita e reconhece" o estatuto de independência da instituição, pelo que preferiu não se pronunciar neste momento.

 

Cristas lembrou que na quinta-feira o CDS-PP fará uma interpelação ao governo na Assembleia da República sobre vários aspetos relacionados com a supervisão bancária em Portugal e disse que o partido irá apresentar propostas concretas.

 

"O que lhes posso dizer é que há muitos anos que nós entendemos que a supervisão bancária em Portugal não funciona como deve funcionar", declarou.

 

A propósito, recordou uma entrevista de Carlos Costa em que o responsável pelo Banco de Portugal se queixava da falta de poderes para fazer o que lhe era exigido.

 

"Como é evidente, se não há esses poderes, se não há esses meios, eles têm de ser encontrados, mas o que nós vimos é uma casa com muita gente, com muitos departamentos, que se calhar não está devidamente focada naquilo que tem de ser a sua prioridade, o seu trabalho e naquilo que é necessário", sustentou Assunção Cristas.

 

Para a dirigente partidária, há muito trabalho a fazer nesta matéria.

 

"Há muito tempo que estávamos a preparar um pacote legislativo para esta matéria. No congresso que está agora a fazer um ano, esta foi uma das prioridades assinaladas e não se completará um ano da minha liderança do CDS sem que esta matéria seja apresentada no parlamento", frisou.

 




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