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Passos Coelho diz que existe uma "contradição" entre o que Bruxelas defende e os resultados obtidos

A Comissão Europeia divulgou um relatório na quinta-feira onde aponta que Portugal tem um "sistema de protecção social inadequado", que não foi capaz de reagir ao aumento do desemprego e da pobreza.

André Cabrita-Mendes andremendes@negocios.pt 27 de Fevereiro de 2015 às 14:04
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Passos Coelho reagiu às críticas da Comissão Europeia em relação a Portugal. Começou por rejeitar que as críticas eram um "balde de água fria" e considera que Bruxelas age de forma contraditória quando defende uma coisa e depois critica os resultados.

 

"Parece haver neste relatório da Comissão Europeia uma certa contradição entre o que são prescrições que a Comissão defendeu, e depois os resultados que se observam. Isso sim não deixa de ser uma ironia", disse esta sexta-feira, 27 de Fevereiro.

 

O primeiro-ministro considera que é preciso haver "um bocadinho mais de articulação e de coordenação entre os diversos departamentos" da Comissão Europeu.

 

E deu mesmo dois exemplos das contradições na actuação de Bruxelas. Primeiro, quando a "Comissão pediu a Portugal que diminuísse as transferênciais sociais. Disseram-nos em Maio, não faz sentido dizer depois que aumentaram os riscos" para o aumento de pobreza em Portugal.

 

Em segundo, quando o Executivo aumentou o salário mínimo nacional. A Comissão Europeia veio criticar esse aumento num relatório no final do ano passado, onde "anotava enorme desconforto com a decisão do Governo em ter decidido aumentar o salário mínimo nacional".

 

"Agora, depois dessa crítica imensa que fez, vem reconhecer que, afinal, o salário mínimo nacional não tem grande relevância para efeitos de elevação de rendimentos e combate ao risco de pobreza", reforçou.

 

A Comissão Europeia divulgou um relatório na quinta-feira onde aponta que o Governo tomou medidas que prejudicaram os mais pobres e que Portugal tem um "sistema de protecção social inadequado", que não foi capaz de reagir ao aumento do desemprego e da pobreza.

 

A primeira reacção do Governo chegou via Ministério da Segurança Social. O gabinete de Pedro Mota Soares acusa Bruxelas de adoptar uma posição de "hipocrisia institucional".

 

"A mesma Comissão Europeia que inscreveu no memorando de entendimento com o Estado Português a redução do prazo de atribuição do subsídio de desemprego; a mesma Comissão Europeia que recomendou ao Estado português reduzir mais o subsídio de desemprego, que foi recusado pelo Governo, agora expressa preocupação com a alegada menor cobertura desta protecção. É uma posição de hipocrisia institucional que não podemos deixar de lamentar", disse fonte oficial do Governo.

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