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Paulo Portas pisca o olho à Alemanha: "Relações não estão esgotadas"

O ministro do Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, que no actual Governo tem a pasta da captação do investimento estrangeiro, piscou o olho a mais investimento alemão em Portugal. Depois do investimento já anunciado da SAP, há intenções de mais projectos da Volkswagen, Bosch e Continental.

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Elogios à Alemanha, mas também aos portugueses. Paulo Portas, ministro dos Negócios Estrangeiros, aproveitou estar a falar para uma plateia de empresários portugueses e alemães, no âmbito do seminário que está a realizar-se esta segunda-feira, 12 de Novembro, sobre as relações comerciais entre os dois países, para elogiar a competência das empresas portuguesas, aproveitando para piscar o olho a mais investimento alemão em Portugal e a mais exportações para a Alemanha.

"Portugal é um país amigo e aberto ao investimento estrangeiro", enfatizou Paulo Portas, elogiando "o profissionalismo das vossas empresas". O ministro dos Negócios Estrangeiros lembrou que as dez maiores empresas alemãs em Portugal realizam 4,6 mil milhões de euros de facturação e exportam quatro mil milhões, empregando 13 mil pessoas. "Se são factos presentes, temos perspectivas importantes para o futuro. O que compete aos governos é criar um ambiente favorável. Tudo o mais é tarefa e interessa das empresas, da sua estratégia, risco e oportunidades. O Governo e a Aicep trabalham para que mais empresas alemãs invistam em Portugal, aqui e agora".

Lembrou o recente investimento da SAP, mas das manifestões de interesse da Volkswagen, Bosch e Continental, "com renovadas apostas com impacto significativo, demonstrando a competitividade de Portugal".

Não deixou de elogiar o sistema de economia social de mercado alemã que, como salientou Paulo Portas, "permite que empregadores e trabalhadores partilhem responsabilidade pela empresa e pelo seu sucesso, dificuldades e potencialidades. Essa partilha permite também distribuir com equidade os frutos da prosperidade. Acordo a acordo, empresa a empresa, a economia social de mercado faz-se do compromisso social entre trabalhadores e empregadores. Especialmente importante para preservação paz e equilíbrio social". E elogiou o sistema de ensino alemão, nomeadamente na ligação empresas-escolas.

Mas o ministro dos Negócios Estrangeiros também não deixou de promover as empresas portuguesas.

"As empresas portuguesas mostram competência no exigente mercado alemão", estando cada vez mais presentes na Alemanha. Salientou vários exemplos, como a Sonae, Sodecia, Simoldes, Inapa, Amorim, Frezite, que "têm a ambição e vontade de vencer no vosso mercado".

E o turismo. "O turista alemão gosta de Portugal e nós precisamos do turista alemão". Este ano está a haver um aumento de 10% nas dormidas e receitas. "É um campo a desenvolver intensamente". E concretizou: "em que outro país podiam encontrar, como hoje, esta luz e este sol que brilham em Lisboa"

Paulo Portas lembrou, ainda, os 120 mil portugueses que emigraram para a Alemanha e que enviam remessas para Portugal, que pesam 6% do total das remessas e que tiveram um aumento de 60% nos primeiros meses do ano. "Muitos portugueses tiveram e continuam a ter oportunidades no vosso país. E continuam a ajudar Portugal, sobretudo neste momento".

Vários sinais que Paulo Portas acredita serem de que há espaço para maiores relações comerciais. "Estas áreas permitem ter a convicção de que as relações comerciais e económicas entre Alemanha e Portugal estão longe de estar esgotadas e têm vias abertas para crescimento e progresso".

Paulo Portas fala, ainda, da possibilidade de aumentar os investimentos de fornecedores para das empresas alemãs, mas também da importância de entidades financeiras portuguesas e alemãs de ajudarem no financiamento das exportações portuguesas para o mercado alemão.

O piscar do olho foi mais concreto, com Paulo Portas a falar dos sectores "de excelência" portugueses como "cluster" aeronáutico, agro-alimentar, quipamentos médicos e farmacêuticos, têxteis, nomeadamente os têxteis técnicos, software, moldes, plásticos, máquinas, que "revelam um Portugal moderno, tecnologicamente avançado".

"Não discriminar empresas pela nacionalidade"
Angela Merkel ainda não está no seminário luso-alemão, por isso não ouviu Paulo Portas. Mas os recados foram deixados. É necessária coordenação na Europa pois "não é coerente ter uma mesma moeda e demasiadas politicas económicas sem respectiva coordenação".

Outro recado: A União Europeia tem de antecipar problemas e não apenas reagir.

Um dos desafios próximos é a união bancária. "É muito importante para que as empresas não sejam discriminadas pela nacionalidae, mas sejam analisadas pelo seu mérito nos procedimentos da união bancária. São procedimentos meticulosos, mas é um processo muito importante para separar o risco soberano e o risco financeiro tradicional. É esta separação que permite no caso português ter também uma esperança maior no acesso ao financiamento das nossas empresas".

Um outro desafio: as negociações do quadro financeiro pluri-anual da União Europeia. O envelope é mais restritivo e a análise da objectividade do emprego desses fundos é mais importante.

Com o recado: "Para toda a Europa a utilização dos fundos estruturais com o devido rigor e com os resultados assinaláveis constitui instrumento importante do ponto de vista económico. Para um País com um programa de ajustamento é ainda mais importante ter atenção às regras que permitem conciliar a boa aplicação dos fundos para obtenção de crescimento e emprego com regras de disciplina orçamental a que estamos obrigados. É um desafio importante para a credibilidade da Europa e confiança dos europeus chegar ao compromisso em que Portugal e Alemanha estão interessados quanto ao quadro financeiro".

(Notícia actualizada às 10h15 com mais declarações de Paulo Portas)

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