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PCP quer ouvir responsáveis da PT, da Caixa e ministro das Finanças sobre antecipação de dividendos

O secretário-geral do PCP repudiou hoje a decisão da PT de antecipar o pagamento de dividendos aos accionistas

Lusa 07 de Novembro de 2010 às 01:03
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O secretário-geral do PCP repudiou hoje a decisão da PT de antecipar o pagamento de dividendos aos accionistas e vai chamar ao Parlamento responsáveis da empresa, presidente da CGD e ministro das Finanças para o esclarecimento das "responsabilidades políticas". "O PCP manifesta o seu mais veemente repúdio por tais factos, que sendo em qualquer altura escabrosos, o são muito mais quando se acaba de aprovar um Orçamento do Estado de pesados sacrifícios para a generalidade dos portugueses", disse o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, em Beja.

Segundo o líder comunista, que falava no fecho da VII Assembleia Regional de Beja do PCP, o partido "exige rápida reversão da decisão [da PT] de distribuição de dividendos – não deve haver sequer distribuição, nem em 2010 nem em 2011 – e o completo esclarecimento das responsabilidades políticas por tais decisões e cumplicidades".

Nesse sentido, anunciou, o PCP vai chamar ao Parlamento, "para a urgente realização de uma audição parlamentar", os responsáveis da PT, o presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos.

Para Jerónimo de Sousa, a decisão da PT de antecipar para este ano o pagamento de dividendos aos accionistas, "garantindo assim uma 'poupança' fiscal de 260 milhões de euros, por comparação com o pagamento em 2011", é um "exemplo de dissimulação e de descaramento político", que assume "foros de escândalo" e que "o país assiste, entre o incrédulo e a indignação".

Trata-se de "uma descarada fuga aos impostos", disse, frisando que os 260 milhões de euros "significam o valor dos cortes que o Governo propõe" para o abono de família no Orçamento do Estado para 2011.

"E não sabemos o que mais criticar, se a desfaçatez dos responsáveis da PT ou a hipocrisia do Governo, de Sócrates e Teixeira dos Santos, que se esqueceram de avisar a tempo os responsáveis da PT para impedir essa inqualificável decisão", disse.

O Governo "manifestou-se na passada quarta-feira contra a distribuição dos dividendos, um dia após a decisão ter sido tomada pelo conselho de administração da PT", mas "há muito sabia que iam ser distribuídos dividendos", disse.

"O Governo não tem vergonha nem desculpa", acusou, lembrando que "desde a venda da Vivo à Telefónica que a PT anunciou uma distribuição extraordinária de dividendos".

Segundo Jerónimo de Sousa, "o Governo tinha todos os meios para se opor" à decisão da PT, "através da golden share e da CGD, accionista de referência com oito por cento do capital".

"Acresce a informação pública de Henrique Granadeiro, presidente não executivo da PT, ter referido na reunião do conselho de administração, 'que a política de remuneração dos accionistas estava conversada com a golden share, ou seja o Governo".

"Falam de coragem, mas quando se trata de enfrentar a santa aliança dos banqueiros e dos grandes interesses, enrolam o fio e lá se vai a farronca", disse, referindo que "há uma lição que se pode tirar desde já".

Ou seja, "este é bem o exemplo da falsidade de um Governo e da sua preocupação com a equidade nos sacrifícios".

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