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PCP quer que Governo tome posição sobre plano de poupanças na TAP

O PCP entende que as conclusões do estudo da consultora Boston Consulting Group para tornar a TAP mais eficiente exige respostas da administração da companhia aérea e do Governo.

TAP Portugal: Europe's Leading Airline to South America
David Martins
Maria João Babo mbabo@negocios.pt 23 de Setembro de 2016 às 12:09
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O PCP quer conhecer a posição do Governo sobre o futuro da TAP face ao estudo realizado pela consultora Boston Counsulting Group para tornar a companhia aérea mais eficiente e ágil.

Na pergunta dirigida ao Ministério do Planeamento e das Infra-estruturas, o deputado Bruno Dias questiona desde logo se o Governo "tem conhecimento do estudo, quem o encomendou, quem o pagou e porquê".

O comunista considera que o documento "Project RISE: Transformar a TAP numa mais eficiente e ágil companhia aérea de bandeira" foi "encomendado por David Neeleman para servir os seus interesses". Em seu entender, "é um documento de enorme gravidade, que não pode ser desvalorizado e exige respostas clarificadoras quer da administração da TAP quer do Governo".

"Em lado nenhum do documento aparecem referências ao interesse nacional, aos ganhos ou perdas para a economia nacional. Nada. O único critério é o lucro dos accionistas detentores de 44% do capital", lamenta o PCP, sublinhando que ao mesmo tempo que "nunca se fala da Star Alliance, a que a TAP pertence", são feitas referências às "sinergias com a Azul"

"É um projecto de redução da TAP, de criação de uma "TAPzinha" low-cost, ao contrário de tudo aquilo que andaram anos a prometer para a gestão privada, com uma projectada redução da qualidade do serviço (em particular nos voos de curta duração e no médio curso, mas não apenas) que sobrevaloriza hipotéticas reduções de custos e ignora as perdas de receita que a descaracterização da TAP inevitavelmente trará", acrescenta Bruno Dias.

O deputado recorda que o estudo divide em sete áreas as "oportunidades para melhorar", com um programa que a consultora acredita que pode resultar em poupanças entre 150 a 200 milhões de euros até 2020.

Entre as "maiores ameaças" realçadas pelo comunista consta, no caso das tripulações, a proposta de reduzir em 50/70 milhões de euros a remuneração destes trabalhadores, através "da renegociação dos Acordos de Empresa, da redução das tripulações aos mínimos permitidos internacionalmente, da redução dos tempos de descanso, diminuindo os custos com os alojamentos das tripulações no exterior, do aumento da polivalência, da redução muito significativa da parte fixa dos salários e promovendo a saída ‘voluntária’ dos trabalhadores mais caros.

No caso dos passageiros e comercial, recorda Bruno Dias, fala-se de reduzir 40/65 milhões de euros os custos, " através da redução do nível de serviço (reduzindo refeições, eliminando os jornais e os brindes), através redução da estrutura de vendas, através da redução do preço pago à Cateringpor (colocando em risco o futuro desta), e da redução de trabalhadores nas vendas (em mais de 300 postos de trabalho)".

No handling, "a proposta é renegociar o contrato com a Groundforce, procurando a degradação do serviço e a redução dos custos, apontando para níveis superiores de self-service e apontando para o self-handling na área de passageiros de Lisboa", diz o deputado.

Na manutenção, o estudo procura "valorizar a Manutenção Brasil e apontar para o fim da Manutenção Portugal", acrescenta.

Os custos com a frota, as taxas de voo e outros custos são também áreas onde o PCP encontra ameaças na proposta do Boston Consulting Group.

Bruno Dias sublinha ainda na pergunta entregue no Parlamento que o Estado, "sendo detentor de 50% do capital e tendo a responsabilidade de zelar pelo interesse nacional, tem que esclarecer urgentemente a sua posição face a este "estudo".

O deputado quer ainda conhecer a posição do Governo quanto a uma eventual alienação da Manutenção e Engenharia Portugal, a perspectiva de "redução da TAP, na dimensão, na qualidade do serviço, no número de trabalhadores", entre outras questões.

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