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Personal Value diz que fusão entre o BCP e o BPI faz sentido mas a operação vai falhar

A gestora de patrimónios Personal Value considera que a fusão entre o BCP e o BPI "faz, estrategicamente, todo o sentido", mas anteviu o falhanço da OPA e o consequente controlo do BPI pelos espanhóis do La Caixa.

Negócios com Lusa 23 de Fevereiro de 2007 às 11:14
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A gestora de patrimónios Personal Value considera que a fusão entre o BCP e o BPI "faz, estrategicamente, todo o sentido", mas anteviu o falhanço da OPA e o consequente controlo do BPI pelos espanhóis do La Caixa.

"Nesta altura, a OPA é uma luta entre dois galos - o La Caixa e o BCP - e parece-me que estará já perdida do lado do BCP, independentemente dos acordos que faça", afirmou o presidente do conselho de administração da gestora.

Outra ideia base da análise de Ricardo Valente é que, "do ponto de vista estratégico", a oferta pública de aquisição (OPA) do BCP sobre o BPI "é muito bem lançada, porque são bancos com filosofias extremamente complementares e forças muito diferentes que, em conjunto, valem muito mais do que separados".

Contudo, disse Ricardo Valente, em entrevista à agência Lusa, a rejeição da administração do BPI "foi, sem surpresa, total".

Uma "reacção" que considera "normal numa lógica de gestão", mas já "não tão normal" do ponto de vista dos accionistas, tendo em conta que o preço oferecido pelas acções do banco incorpora um prémio de 50% face à cotação na altura em que a OPA foi lançada.

"Esta OPA foi lançada com um prémio tremendo. O BCP propõe pagar 5,70 euros por um título que andava à volta dos 3,50 euros, apesar de hoje estar a 6,00 euros. O prémio foi 50 por cento acima da cotação do BPI antes da OPA, portanto foi bastante generoso para tomar o controlo do banco", sustentou.

Para a Personal Value, a rejeição dos accionistas do BPI deixa em cima da mesa "duas teorias: ou, de repente, o BPI vale muito mais do que aquilo a que estava cotado em bolsa, e estava toda a gente enganada; ou, provavelmente, há entre os próprios accionistas do BPI quem tenha interesse em comprar o banco".

Segundo Ricardo Valente, "é aqui que entra o La Caixa", interveniente "fundamental" no processo da OPA e, sem dúvida, "o grande aliado do conselho de administração do BPI".

"Neste momento, há uma grande aproximação entre os dois e o discurso [da administração do BPI] até já é de que prefere trabalhar com o La Caixa do que com o BCP, o que claramente sinaliza a luz verde a uma eventual tomada de posição do La Caixa no BPI", considerou.

Neste cenário, diz Ricardo Valente, a "OPA hostil" lançada pelo BCP transformar-se-ia numa "OPA amigável", desta vez protagonizada pelo La Caixa.

Ainda assim, o recente acordo entre Paulo Teixeira Pinto e o Santander, para a compra pelo BCP da participação de 5,87% do banco espanhol no BPI, "não deixa de espantar pela tenacidade", já que acontece "quando teoricamente a OPA já estaria perdida".

Na opinião do responsável da Personal Value, este acordo traduz, ainda, a percepção do BCP de que "pode perder [a OPA] ganhando".

"Tudo depende do preço que se paga pelas coisas", afirmou à Lusa, explicando que, com este acordo, o BCP "pode implicar que quem vá comprar o BPI pague muito dinheiro pelo banco".

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