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Petrobras adia novos investimentos exteriores, incluindo na Galp

A Petrobras está a adiar o anúncio de novos investimentos, incluindo a eventual entrada na portuguesa Galp, à espera da entrada em bolsa, uma das maiores na história brasileira, disseram hoje analistas do sector.

Lusa 25 de Agosto de 2010 às 09:06
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O adiamento de novos investimentos, como a possível compra da participação da italiana Eni no capital da Galp Energia, tem como objectivo evitar o aumento das dívidas da Petrobras.

"Se realizar novos investimentos neste momento, a Petrobras corre o risco de aumentar muito o seu actual endividamento e de ter dificuldades de captar recursos no mercado", disse a Lusa um corretor de uma das maiores casas de São Paulo. "O melhor é aguardar a entrada em bolsa para não correr o risco de perder mais valor de mercado e de ter a nota de sua dívida rebaixada pelas agências de notação de risco", disse o corretor, que pediu o anonimato por não ter autorização para falar com a empresa.

O analista Osvaldo Telles, do Banif Investment Bank, disse, por seu lado, que "antes da capitalização, não é o momento para falar em mais despesas [da Petrobras]".


A petrolífera estatal brasileira planeia entrar ainda este ano na bolsa mas, segundo fontes do mercado, a entrada no mercado pode ser adiada outra vez, depois de um anterior adiamento de Junho para Setembro.

O presidente brasileiro, Lula da Silva, teme que a venda de acções da Petrobras, em plena disputa eleitoral das presidenciais, possa gerar instabilidade e prejudicar a sua candidata Dilma Rousseff, dizem os analistas. Segundo as últimas sondagens, Dilma lidera a disputa e poderá vencer as presidenciais já na primeira volta, marcada para 3 de Outubro.

Contribui igualmente para o adiamento a definição do preço das reservas de petróleo que serão cedidas à Petrobras pelo Governo brasileiro. Actualmente, a estatal financiancia os seus investimentos com a venda de gasolina e diesel, no mercado brasileiro, a preços acima dos níveis internacionais. Nos últimos dois anos, o preço acima da cotação internacional já garantiu cerca de 10,4 mil milhões de euros adicionais aos cofres da estatal, segundo o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

A dimensão da operação de venda de acções e os diversos adiamentos têm gerado incertezas para os investidores da estatal, cujo valor de mercado já caiu cerca de 25% desde o início deste ano.

Na semana passada, a Petrobras perdeu, pela primeira vez na história, o posto de maior empresa brasileira para a mineira Vale. Em 1997, quando foi privatizada, a Vale, actualmente a maior produtora e exportadora mundial de minério de ferro, custava 43% da Petrobras.
A venda de acções da Petrobras deverá resultar num encaixe entre 50 mil milhões a 80 mil milhões de dólares, de acordo com estimativas do mercado.

Os recursos obtidos com a operação vão financiar o plano de investimentos da petrolífera estatal para o período 2010-2014, no total de 224 mil milhões de dólares.
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