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Pharol dispensa aumento de capital mas não desiste da Oi

A empresa liderada por Palha da Silva não vai fazer uso da autorização obtida no mês passado para reforçar o seu capital e acorrer através desse meio ao aumento de capital da Oi. Se o fizer, será com outros meios. Isto devido às condições adversas de mercado.

Miguel Baltazar
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A Pharol anunciou que não vai fazer uso do aumento de capital aprovado na assembleia geral da empresa no passado dia 23 de Novembro para ir ao reforço de capital da operadora brasileira Oi.

 

"Como é do conhecimento dos senhores ascionistas, na assembleia geral de 23 de Novembro de 2018, foi deliberado autorizar o conselho de administração da Pharol a aumentar o montante nominal do capital social da sociedade (…) para um máximo de até €55.482.427,11, na modalidade de novas entradas em dinheiro, com ou sem ágio, sendo o montante global máximo do encaixe autorizado de €70.038.277,67", refere o comunicado da Pharol divulgado junto da CMVM.

 

O documento recorda que "o montante concreto do aumento ficou pendente de definição por parte do conselho de administração, em função das condições de mercado existentes e consoante se revelasse necessário para permitir a participação da Pharol no aumento do capital social da Oi".

 

Acontece que a empresa liderada por Palha da Silva (na foto) considera que, actualmente, "as condições de mercado não se apresentam propícias à realização, pela Pharol, de um aumento do seu capital social".

 

"Adicionalmente, a sociedade dispõe de outros instrumentos para acautelar os seus interesses ao nível da Oi, podendo a participação da Pharol no aumento do capital social da Oi ser prosseguida com uma gestão combinada das disponibilidades de caixa, dos direitos de subscrição preferencial e das acções Oi", sublinha.

 

Neste enquadramento, o "board" da empresa "deliberou não fazer uso da autorização para aumentar o capital social da Pharol, com aquela finalidade".

Pharol ganhou tempo para decidir se vai ao aumento de capital

 

Recorde-se que a Oi alterou as datas para o seu aumento de capital, dando mais tempo à Pharol para tomar decisões.

 

Assim, em vez de ter de decidir se vende os seus direitos nessa capitalização até 17 de Dezembro, a empresa liderada por Palha da Silva tem, agora, até 26 de Dezembro para tomar a opção de alienar os direitos.

 

De acordo com o comunicado da Oi, "a negociação dos direitos de preferência na B3 [bolsa brasileira]", que teve início a 22 de Novembro, "cessará no fechamento do mercado do dia 26 de Dezembro de 2018".

Caso pretenda acorrer ao aumento de capital da Oi, a Pharol terá mais dias para o fazer, uma vez que, de acordo com o comunicado, "os direitos de preferência podem ser exercidos no prazo de 30 dias corridos, começando na abertura do mercado do dia 22 de Novembro de 2018 e terminando no fechamento do mercado do dia 4 de Janeiro de 2019" [ao invés de 26 de Dezembro, como previsto inicialmente].

A Oi está a realizar um aumento de capital por injecção de dinheiro de até quatro mil milhões de reais (cerca de 950 milhões de euros), através da emissão de 3.225.806.451 acções, que terão um preço de 1,24 reais.

 

Duas fases da recapitalização

 

A Pharol detinha uma participação de 22% na Oi, mas essa posição baixou para 7,6% após a empresa ter decidido não participar na recapitalização da operadora brasileira através da conversão de dívida em acções, primeira etapa dos dois aumentos de capital previstos no âmbito do plano de recuperação judicial da empresa de telecomunicações brasileira. 


O segundo aumento será feito por injecção de dinheiro e a Oi tem planeado angariar 4 mil milhões de reais (904 milhões de euros). A operação, aprovada pelos accionistas e pela justiça brasileira.

Mais desistências

 

Nos últimos dois meses houve duas desistências de operações no mercado devido a condições adversas.

 

Ontem, foi a Vista Alegre que anunciou o cancelamento do seu aumento de capital devido "à conjuntura adversa nos mercados internacionais". "Apesar de diversos investidores nacionais e internacionais terem participado no 'roadshow' recentemente realizado, em resultado da conjuntura adversa nos mercados internacionais que se tem verificado, a oferta institucional de distribuição de acções da sociedade não se concretizará", revelou.

Esta terça-feira, o 'chairman' da Vista Alegre, Nuno Marques, admitiu reiniciar "no futuro" o processo de aumento de capital e alargar a dispersão em bolsa, mas afastou a possibilidade de tal vir a acontecer no primeiro trimestre de 2019.

Já a Sonae MC informou, a 11 de Outubro, que "face às condições adversas nos mercados internacionais, a oferta institucional não se concretizará, o que determinará, consequentemente, a não execução da oferta pública de venda de acções da Sonae MC". 

Um mês depois, a Sonae MC sublinhou que, no curto prazo não havia intenção de voltar ao mercado, até porque os mercados continuavam instáveis. A oportunidade, no entanto, diz fonte oficial, continua lá. E, por outro lado, "todo o trabalho feito acrescentou valor ao grupo", já que, no entender de fonte oficial, "o perímetro e o negócio da MC saiu reforçado", e também os "órgãos de governo alinhados" com o que é uma empresa cotada. Também a visibilidade foi ganha. 


(notícia actualizada às 18:11)

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