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Polícia italiana apreende activos de 104 milhões do Nomura por prejudicar contas públicas

As transacções entre o banco nipónico Nomura e a Sicília, ocorridas entre 2000 e 2006, terão penalizado as contas daquela região. A polícia italiana apreendeu activos pela venda de produtos financeiros considerados complexos.

Bloomberg
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 28 de Julho de 2014 às 19:28
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O banco japonês Nomura Holding está a ser acusado de ter vendido à Sicília instrumentos financeiros que prejudicaram as contas públicas daquela região italiana. A polícia transalpina apreendeu activos avaliados em 104 milhões de euros daquela instituição.

 

A notícia está a ser avançada por várias agências de informação internacionais, que citam um comunicado enviado pela polícia italiana. Na declaração, a polícia defende que foram realizadas transacções (entre 2000 e 2006) que acabaram por prejudicar as contas públicas da Sicília. As perdas estimadas devido à venda desses produtos são de 175 milhões de euros, segundo o The Wall Street Journal.

 

Em investigação, além do banco, estão outras sete pessoas (quatro antigos funcionários e três consultores independentes), que terão de contribuir com cerca de 6,5 dos 104 milhões apreendidos. O valor será, de acordo com o mesmo jornal, equivalente aos ganhos alegadamente ilícitos conseguidos pelo Nomura.

 

Segundo a polícia italiana, as transacções estarão relacionadas com a titularização de créditos de cuidados de saúde (créditos que terão sido endossados a outros activos). Além disso, haverá ainda contratos derivados (de outros produtos) utilizados na reestruturação da dívida que terão sido desvantajosos para a região, de acordo com a Reuters.

 

O Nomura já reagiu, segundo uma resposta citada pela Bloomberg. "Temos conhecimento da acção levada a cabo pelos procuradores públicos na Sicília, relacionada com transacções feitas pelo Nomura e a região da Sicília entre 2000 e 2006. Estamos a rever a situação e vamos cooperar com a Procuradoria nesta situação".

 

Este não é o primeiro caso que envolve autarquias e derivados adquiridos a bancos internacionais. O objectivo de tais produtos financeiros passa pela redução de custos mas acaba por ter o efeito inverso.

 

Em Portugal, a polémica ligada a activos financeiros ocorreu nas empresas públicas que adquiriram, ao longo da última década, instrumentos de gestão do risco financeiro ("swaps" utilizados, na sua base, para proteger face a variações de taxas de juro) que acabaram por representar perdas potenciais de 3 mil milhões de euros na sua totalidade.

 

O Estado optou por materializar perdas de mil milhões de euros, que pagou aos bancos, para cancelar "swaps" que representavam perdas possíveis de 1,5 mil milhões de euros. Os restantes 1,5 mil milhões de euros dizem respeito a "swaps" vendidos pelo Santander Totta, que não quis negociar com o Estado português o seu cancelamento.

 

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