Empresas Portugal captou 1,7 mil milhões de euros em investimento direto do Reino Unido  

Portugal captou 1,7 mil milhões de euros em investimento direto do Reino Unido  

Portugal conseguiu, nos últimos dois anos, captar 1,7 mil milhões de euros de investimento direto do Reino Unido, disse à Lusa o Secretário de Estado da Internacionalização.
Portugal captou 1,7 mil milhões de euros em investimento direto do Reino Unido   
Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 15 de abril de 2019 às 07:35

"É absolutamente assinalável", disse Brilhante Dias, em entrevista à agência Lusa, acrescentando, que por causa do processo de saída da União Europeia (UE),'Brexit', Portugal poderá ter recebido também fluxos de outros mercados que seriam antes dirigidos para o Reino Unido.

 

"Com tantas empresas a dizerem que querem deixar o Reino Unido, os portugueses perguntam o que é que Portugal tem feito para captar esse fluxo. E o que fizemos foi acompanhar esse fluxo, percebendo que é uma situação política ou diplomática muito complexa", referiu Brilhante Dias.

 

O secretário de Estado adiantou ainda que desde o início da legislatura deste Governo, liderado por António Costa (2016), até ao final de março, foram contratualizados cerca de 2,7 mil milhões de euros de investimento direto para Portugal.

 

"Nós fechámos, até este mês, entre 2,6 e 2,7 mil milhões de euros de novo investimento direto contratualizado durante esta legislatura, ou seja, em 2016, 2017, 2018 e agora, já considerando o primeiro trimestre de 2019", disse Brilhante Dias.

 

Trata-se de projetos de investimento direto com incentivos financeiros, com benefícios fiscais e com apoio à investigação e desenvolvimento.

 

"Isto é, em grande medida, uma confiança muito importante, de capital nacional, mas também de capital estrangeiro, no mercado português", sublinhou. 

 

Nestes valores não são considerados investimentos como os da Google ou da Volkswagen, por exemplo, porque esses nem sequer foram contratualizados, lembrou.

 

"Estes foram acompanhados por nós, mas não foram contratualizados. Vieram para Portugal sem incentivos, escolhendo Portugal pelos seus méritos como localização empresarial", concluiu.

 

Senegal, Costa do Marfim, Gana e Etiópia entre as apostas do Governo em África

 

O Governo pretende reforçar as relações com países africanos como Senegal, Costa do Marfim, Gana, Nigéria ou Etiópia, considerando que podem ter "um papel muito importante" na internacionalização da economia portuguesa, disse o secretário de Estado da Internacionalização.

 

Em entrevista à agência Lusa, Eurico Brilhante Dias referiu que o Governo "tem olhado com muita atenção para a costa ocidental africana", nomeadamente Senegal, Costa do Marfim, Gana e Nigéria, mercados onde as empresas portuguesas estão a chegar, a ganhar contratos e a procurar ganhar contratos, apontou.

 

"Procuraremos reforçar o Senegal, a partir de Dakar [a capital], mas também a Costa do Marfim, onde muito proximamente teremos uma visita de Estado do senhor Presidente da República", adiantou. 

 

No entanto, referiu que, na mesma região, o Governo "vai sempre" olhar para a Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, sem prejuízo dos contextos político e económico, porque são mercados a acompanhar com "grande cuidado" pelo número de empresas portuguesas que neles trabalham.

 

Na costa oriental africana, o destaque vai para o Egito, país onde o secretário de Estado considera que Portugal tem feito "um trabalho de formiga, muito bem feito" através da embaixada portuguesa no Cairo.

 

Outros dos mercados onde o Governo também pretende desbravar caminhos são a Etiópia, o Uganda e Ruanda, onde já estão algumas empresas portuguesas a chegar, disse, e no Magrebe, com Marrocos, Argélia e Tunísia.

 

"Como se vê, o continente africano tem para a internacionalização e diversificação da economia portuguesa um papel muito importante", afirmou Brilhante Dias, acrescentando, no entanto, que é preciso "gerir riscos".

 

O governante destacou ainda que hoje as empresas que estão em Angola e em Moçambique já olham para outros mercados da região como o Botsuana, Maláui, Zimbabué, Suazilândia ou África do Sul, "tendo esses mercados a conjuntura que têm", referiu

 

Brilhante Dias lembrou, no entanto, que para a União Europeia vão três quartos das exportações portuguesas, considerando que a economia portuguesa precisa de continuar a diversificar para zonas onde Portugal tem vantagem política e diplomática - pela presença histórica ou pelos laços políticos e diplomáticos que foi construindo - ou por ter empresas portuguesas cada vez mais bem preparadas para estar em setores infraestruturais e, no setor social, educação e saúde, como na África, América Latina e Ásia.

 

Na comparação de 2014 com 2017, há menos 1.500 empresas que exportam só para um mercado. "Isso é muito positivo, significa que nós fomos crescendo em intervalos de empresas que exportam para dois, três, quatro, cinco e para mais mercados até. Isso é bom", realçou.

 

"Nós aumentámos a quantidade, nós temos mais empresas a exportar, aumentámos o valor das exportações. Nós exportámos, em média, entre bens e serviços, mais cinco por cento em janeiro deste ano do que tínhamos em janeiro de 2018", referiu.

 

Porém, esse trabalho de diversificação e de internacionalização "tem de continuar", defendeu.




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