Turismo & Lazer Precisa-se de mordomos para atrair turismo de luxo para a Grécia

Precisa-se de mordomos para atrair turismo de luxo para a Grécia

A Riviera de Atenas, a apenas 20 minutos da Acrópole e do centro da capital grega, podia ser o parque de diversões dos milionários do mundo. Mas não é.
Precisa-se de mordomos para atrair turismo de luxo para a Grécia
Reuters
Bloomberg 30 de junho de 2019 às 15:00

O litoral da Grécia de 70 quilómetros tem um mar azul, um pôr-do-sol romântico e uma vista deslumbrante para o golfo de Egina, mas apenas um punhado de hotéis de luxo, que têm dificuldades em encontrar pessoal para responder aos caprichos de visitantes exigentes. Quem tem muito dinheiro raramente passa por lá, o que é uma oportunidade perdida para um país onde até 20% do PIB vem da indústria do turismo.

 

"Faltam na Grécia programas educacionais para treinar pessoas para atuar como mordomos em residências de luxo, para fornecer serviços de talassoterapia (tratamentos que usam água do mar) ou para trabalhar a bordo de iates — tudo isto é procurado pelos turistas ricos", disse Xara Kovoussi, diretora da escola pública de educação turística em Anavissos, ao sul de Atenas.

 

Os gregos tendem a olhar com desprezo para estas funções, embora o turismo seja responsável direto ou indireto pelo ganha-pão de 3,8 milhões de pessoas, ou mais de um terço da população do país mediterrâneo. Mesmo com a taxa de desemprego em 18% — a mais elevada da Zona Euro —, continua difícil encontrar pessoal qualificado para este segmento.

 

"A sociedade grega ainda considera a profissão de turismo como categoria inferior de emprego", disse Kovoussi, acrescentando que só tem 450 alunos na sua escola. O instituto oferece cursos para chefes de cozinha, camareira, profissionais de cocktails, rececionistas e empregados de mesa.

 

Mão-de-obra restrita e falta de investimento adequado impedem que o setor de turismo aproveite plenamente as vantagens proporcionadas pelo sol e pela areia num país formado por cerca de 6.000 ilhas espalhadas pelos mares Egeu e Jónico. Cuidar destas questões é crítico para a Grécia, que tenta superar uma década de crise financeira, que chegou a fazer encolher a economia em um quarto e 27% da população em idade ativa sem emprego.

 

A Grécia ficou em 18.º lugar entre os países com o maior crescimento dos gastos de visitantes internacionais nos últimos sete anos, atrás de Espanha em quinto lugar, da Turquia em nono, de Portugal em 11.º e de Itália em 12.º, de acordo com dados do Conselho Mundial de Viagem e Turismo (WTCC).

 

A Grécia recebeu 30 milhões de visitantes no ano passado, um salto de 11% em relação ao ano anterior, enquanto a receita do turismo subiu 12% para 16 mil milhões de euros, de acordo com a Confederação Grega de Turismo. O investimento da Grécia no setor aumentou menos que o dos seus rivais globais, subindo 3,6% em 2018, ou a 120.ª posição num ranking de 185 países, segundo dados do WTTC.

 

A indústria do turismo da Grécia vai precisar de entre 5 mil milhões e 6 mil milhões de euros em investimentos nos próximos quatro a cinco anos, afirmou Stelios Koutsivitis, presidente da Astir Palace Vouliagmeni, operadora do Four Seasons Astir Palace Hotel, em Atenas. Grandes projetos podem atrair bastante investimento estrangeiro. Segundo ele, ampliar a parcela de turistas de alto rendimento dos 2% atualmente para 5% poderia duplicar a receita do setor.

 

(Texto original: Butlers Wanted to Help Lure Wealthier Tourists to Greece)




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