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Presidente da companhia aérea de Cabo Verde diz aos trabalhadores que a TACV está "muito doente"

A TACV-Transportes Aéreo de Cabo Verde "está muito doente", porque tem acumulado muitas dívidas e só sobrevive "porque os seus credores vão fechando os olhos e nenhum deles pediu, até agora, o seu encerramento leia-se falência", assim começa o presidente da TACV uma carta aos trabalhadores cuja mensagem é "ou mudamos ou fechamo".

Negócios negocios@negocios.pt 27 de Março de 2009 às 08:14
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A TACV-Transportes Aéreo de Cabo Verde “está muito doente”, porque tem acumulado muitas dívidas e só sobrevive “porque os seus credores vão fechando os olhos e nenhum deles pediu, até agora, o seu encerramento — leia-se falência”, assim começa o presidente da TACV uma carta aos trabalhadores cuja mensagem é “ou mudamos ou fechamos”.

António Pereira Neves afirma nessa carta, citada na imprensa cabo-verdiana, noticiada pelo site português de turismo “Presstur” que “chegou a hora das grandes decisões”, porque a companhia “corre sérios riscos”, e revela que “tem sido uma ginástica permanente solver compromissos para que os nossos aviões continuem a voar”.

“A situação de ruptura financeira que hoje vivemos é resultado de decisões e medidas que foram sendo tomadas ao longo dos anos”, justifica António Pereira Neves na carta aos trabalhadores, sem especificar a que medidas se refere.

Feito este diagnóstico, o presidente da TACV anuncia que é chegado o momento “haver decisões muito sérias”, ou são adoptadas “medidas estruturais de fundo ou aceitamos resignados a perda de mais de 800 postos de trabalho”, ou é garantida “a sobrevivência da nossa companhia aérea de bandeira ou continuamos o percurso de definhamento e fecho anunciado da TACV”.

As medidas anunciadas na carta dizem respeito à estrutura interna da companhia, bem como à sua recapitalização pelo Governo e António Pereira Neves garante estar disposto a assumir as suas responsabilidade, a “encarar as dificuldades e adversidades promover aquilo que deve ser feito a favor do bem maior que é a TACV – Cabo Verde Airlines”, ainda que também diga que na sua vida profissional nunca se confrontou “com dilemas e alternativas tão difíceis e desagradáveis”.

No plano interno da companhia, o presidente da TACV anuncia que já apresentou ao Governo uma proposta legislativa sobre “trabalho do pessoal móvel da aviação civil” cujo objectivo é dotar a empresa de “um regime de trabalho harmonizado com a prática internacional e sem prejuízo da protecção da saúde, da segurança dos trabalhadores e da segurança operacional”.

Outra medida é uma revisão e ajustamento dos “subsídios vigentes na empresa”. O presidente anuncia ainda na carta que “serão reapreciadas as situações em que a Companhia vem pagando horas extras no sentido de sua eliminação quando não se justificam ou possam ser compensadas de outra forma”.

António Pereira Neves admite na carta que essas medidas “não serão todavia suficientes para viabilizar a Companhia no médio e longo prazo” e alerta que poderão ser necessários “esforços adicionais”..

A nível financeiro, o presidente da TACV revela que a empresa “vem negociando com o Governo um apoio financeiro que deverá traduzir-se, desejavelmente, no aumento do Capital Social e no reescalonamento da divida financeira de curto prazo da Companhia”.

“Estou firmemente convicto de que o Governo encontrará os melhores mecanismos para ajudar a TACV a sair da situação complicada em que vive”, acrescenta.

Prossegue a carta, para de seguida pedir aos trabalhadores da empresa que compreendam que “as medidas são duras e antipáticas” mas têm que avançar, “porque não há outro caminho para salvar a TACV”.

“Mas, para isso, não podemos perder a oportunidade para fazer aquilo que tem de ser feito, em beneficio de cada um de nos, da TACV e do País”, conclui.

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