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Presidente da Polónia defende que conversão dos empréstimos seja feita com razoabilidade

O presidente polaco quer que a conversão dos empréstimos indexados ao franco suíço, algo que afecta o BCP, seja feita de forma razoável. Andrzej Duda sustenta haver margem para um compromisso de partilha dos custos entre as famílias e a banca.

33º - Polónia (36º em 2014)
Bloomberg
David Santiago dsantiago@negocios.pt 19 de Outubro de 2015 às 12:28
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O presidente da Polónia, Andrzej Duda, defende que o processo de conversão dos empréstimos indexados ao franco suíço para a moeda polaca (zlotys) seja feito com razoabilidade. No passado domingo, em entrevista à TVN24 TV, o presidente Duda sustentou existir margem para um "compromisso" entre aqueles que defendem dever ser a banca a assumir a maior parte dos custos da referida conversão, e quem prefere que a factura seja partilhada entre o sistema financeiro e as famílias.

 

"Estamos a trabalhar num projecto com um perfil razoável, de forma a que ajude aqueles que contraíram empréstimos indexados ao franco suíço e que agora estão numa situação difícil", afirmou citado pela Reuters.

 

Nesse sentido, Andrzej Duda garante que estão a ser negociadas "outras soluções" que obrigam, muito mais do que a anterior proposta, rejeitada pelo Parlamento, a um "compromisso". "É preciso encontrar uma solução algures a meio caminho", acrescentou o também membro do Lei e Justiça (PiS) que reconhece existirem "muitas ideias" e mostra esperança na possibilidade de ser encontrada "uma solução que possa ser aceitável".

 

Depois de vencer as eleições presidenciais deste ano, Andrzej Duda defendera que a conversão para zlotys deveria abranger todos os créditos indexados à divisa helvética, uma medida que elevaria a factura a pagar pela banca com presença na Polónia para cerca de 64 mil milhões de zlotys (cerca de 15 mil milhões de euros), segundo analistas então citados pela Reuters.

 

Mas, já em Setembro último, a mesma agência noticiosa citava uma notícia do Dziennik Gazeta Prawna, que avançava que Duda pretendia que os clientes pudessem ter o direito de converter os empréstimos mediante a taxa em vigor aquando da contracção do mesmo. Também em Setembro, a câmara alta do Parlamento da Polónia rejeitou o projecto de lei que estabelecia que o sistema financeiro teria de arcar com 90% (cerca de 5,2 mil milhões de euros) dos custos derivados da conversão dos créditos imobiliários para zlotys. Esta proposta havia sucedido a um projecto de lei inicial que estabelecia que sobre a banca a operar no mercado polaco recaísse apenas 50% da factura resultante da conversão.

 

Ora, esta poderá ser uma boa notícia para o BCP que detém o Bank Millennium na Polónia. Porque mesmo a menos de uma semana das legislativas agendadas para 25 de Outubro, ganha força a ideia de distribuir os custos relacionados com o processo de conversão entre as famílias e a banca. O Lei e Justiça apesar de permanecer à frente nas sondagens, parece ter refreado as suas intenções de colocar sobre os bancos o essencial do ónus do processo de conversão dos créditos imobiliários. Algo que não deverá ser alheio às ameaças de processos judiciais por parte dos bancos estrangeiros que operam no país. 

 

O processo foi originado, no início deste ano, com a decisão do banco central suíço de extinguir um mínimo para a taxa de câmbio da divisa helvética face ao euro provocou uma forte valorização da moeda suíça relativamente a divisas como o euro e o dólar. Isto penalizou muitas famílias polacas que somente entre 2007 e 2008 pediram cerca de 500 mil empréstimos indexados ao franco suíço, evitando assim as flutuações e a maior volatilidade da moeda polaca e beneficiando de menores taxas de juro. 

A unidade de investimento do BPI, numa nota de análise citada pela Bloomberg, refere que o montante concedido sob a forma de crédito imobiliário indexado a moedas estrangeiras pelo Bank Millenium ascende a cerca de 4,7 mil milhões de euros. O BPI sublinha que este valor representa 41% do montante total concedido pelo sistema financeiro polaco segundo aquela modalidade. Por sua vez, explica o BPI, aquele montante representa 8% da carteira de créditos do grupo BCP. 

 

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