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Presidente do BPI diz que "é possível enganar o regulador sistematicamente"

Na entrevista ao Negócios, Artur Santos Silva considera que a estrutura de regulação em Portugal e na Europa tem falhas. E o Banco de Portugal foi incapaz de "identificar má gestão". Não é o primeiro que diz isto.

Miguel Baltazar
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 19 de Fevereiro de 2016 às 12:07
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Artur Santos Silva, o presidente do conselho de administração do Banco BPI, considera que os reguladores da banca, nomeadamente o Banco de Portugal, podem ser enganados. "Sistematicamente".

 

"Com o desenvolvimento dos sistemas de informação, é possível enganar o regulador sistematicamente", defende Artur Santos Silva na entrevista ao Weekend, o suplemento de fim-de-semana do Negócios. 

 

Na entrevista, o "chairman" do BPI diz que a partir da crise do subprime, nos Estados Unidos, em 2007, começaram a ser visíveis os problemas que a banca portuguesa tinha. Problemas que, no caso do BES, são "o resultado da incapacidade do regulador de identificar má gestão e gestão dolosa".

 

Não é a primeira vez que há uma crítica ao funcionamento da estrutura da regulação com a referência à impossibilidade de detectar fraudes.

O antigo ministro das Finanças e ex-presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, Fernando Teixeira dos Santos, foi à comissão de inquérito à gestão do BES e do GES deixar cum aviso. "Se alguém quer enganar o supervisor, engana e esconde".

 

Na mesma iniciativa parlamentar, o revisor oficial de contas do BES, José Manuel Macedo Pereira, também declarou algo do género: "Quando alguém quer, efectivamente, enganar alguém, engana". 

Na última década, Portugal viveu vários problemas na banca em que, em parte, foram atribuídas deficiências à eficiência da regulação. O BPN foi nacionalizado, seguido de inúmeros inquéritos judiciais e investigações dos reguladores; o mesmo ocorreu com o BPP; o BES foi alvo de uma medida de resolução, igualmente com acusações judiciais à gestão do histórico Ricardo Salgado e também com investigações posteriores. No mesmo período, foi também necessário injectar dinheiro público no BCP, BPI, Banif (duas vezes) e Caixa Geral de Depósitos. 





 

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