Media Prioridade da nova gestão da Controlinveste será reduzir custos

Prioridade da nova gestão da Controlinveste será reduzir custos

Fundos dos novos accionistas são para reestruturar grupo. Bancos podem sair em 2017.
Prioridade da nova gestão da Controlinveste será reduzir custos
Correio da Manhã
Maria João Gago 27 de novembro de 2013 às 23:55

Os novos investidores da Controlinveste Media, António Mosquito e Luís Montez, já estão a desenhar um novo plano estratégico para o grupo de media, cuja prioridade será a redução de custos de funcionamento.

Segundo sabe o Negócios, os fundos que os novos accionistas vão injectar na empresa que controla o "Diário de Notícias", o "Jornal de Notícias", o "Jogo" e a TSF destinam-se, em parte, a financiar a reestruturação do grupo, com o objectivo de optimizar a estrutura de gastos da empresa. Em cima da mesa deverá estar, entre outras medidas, um programa de redução do quadro de pessoal.

Os valores envolvidos nesta operação não são conhecidos, sabendo-se apenas que os novos investidores vão entrar na Controlinveste Media através de um aumento de capital. A operação servirá para anular a situação líquida negativa que a empresa regista e para dotá-la de recursos que permitam torná-la viável na sequência do processo de reestruturação.

O empresário angolano e o promotor de espectáculos participarão no aumento de capital injectando dinheiro, ficando com participações de 27,5% e 15%, respectivamente. O Banco Comercial Português e o Banco Espírito Santo aproveitarão o reforço de fundos próprios para converter parte da dívida do grupo em posições de 15% da Controlinveste para cada instituição. Já a posição de Joaquim Oliveira ficará reduzida a 27,5%.

A reestruturação accionista do grupo sedeado na Avenida da Liberdade deverá estar concluída nos últimos dias do ano, apesar de a data-limite acordada pelos investidores ser 15 de Janeiro do próximo ano.

Bancos poderão vender participações em 2017

A participação do BCP e do BES no capital da Controlinveste Media deverá ter um carácter transitório. O acordo assinado entre todos os accionistas prevê que os bancos possam vender as suas posições ao fim de três anos. Ou seja, a partir do início de 2017, BCP e BES poderão estar de saída do grupo.

No caso do banco liderado por Nuno Amado, a alienação dos 15% que se prepara para tomar no grupo que detém o "Diário de Notícias" será mesmo uma obrigação decorrente do facto de a instituição ter beneficiado de ajuda do Estado. Neste âmbito, o BCP está impedido de tomar participações sociais noutras empresas, excepto com autorização prévia da Comissão Europeia, do ministro das Finanças e do Banco de Portugal.

Não estando sujeito a este tipo de constrangimentos, o BES terá mais margem de manobra para poder esperar até ao fim do período de imobilização de três anos antes de decidir o que fará à sua participação.

Certo é que os restantes accionistas da Controlinveste Media terão direito de preferência na compra das posições dos bancos, quando estes decidirem vender. No entanto, se não exercerem esta opção, deixarão caminho aberto para que BCP e BES alienem a qualquer outro investidor.

Sintomático de que a participação dos bancos no grupo de media resulta apenas de uma reestruturação financeira é o facto de BCP e BES não irem nomear qualquer representante para o conselho de administração da Controlinveste Media. Este órgão, que terá como presidente não executivo Daniel Proença de Carvalho, será constituído por um total de sete elementos, sendo os restantes seis nomeados por Mosquito, Montez e Oliveira. Caberá depois à administração designar uma comissão executiva que deverá integrar apenas três gestores.

 
Privatizações criaram grupo

Primeiro foi Lusomundo, agora é Controlinveste. Grupo teve origem nas privatizações de dois dos seus jornais.

 

Privatizações do DN e do JN foram a origem do grupo

No início dos anos 1990, Luís Silva transformou-se em empresário da área dos media, ao afirmar-se no mercado como vencedor das privatizações do "Diário de Notícias" e do "Jornal de Notícias". A TSF, fundada por um grupo de jornalistas, é o último órgão de comunicação social a juntar-se ao grupo Lusomundo, que adquire a maioria da rádio em 1994.

 

PT compra Lusomundo para apostar nos conteúdos

Em plena euforia dos negócios de integração das TMT (tecnologia, media e telecomunicações), no início dos anos 2000, a Portugal Telecom acorda com Luís Silva a compra da Lusomundo. Além dos órgãos de comunicação social, entre os quais diversas revistas, o grupo era ainda dono dos cinemas Lusomundo. Na altura, o negócio avaliou o grupo de media e distribuição de cinema em mais de 500 milhões de euros.

 

Oliveira paga 300 milhões para crescer nos media

Em 2005, a PT decidiu sair do negócio dos media e vendeu a Lusomundo Serviços, que incluía apenas o negócio dos media, à Controlinveste, de Joaquim Oliveira. O empresário que já tinha "O Jogo" avaliou o grupo em mais de 300 milhões, financiados pelo BCP. O BES é o outro banco do grupo.

 

Mosquito e Montez entram na Controlinveste Media

As dificuldades financeiras do grupo, sobretudo devido ao elevado passivo, obrigaram Joaquim Oliveira a ceder o controlo do grupo. António Mosquito e Luís Montez serão os novos accionistas.




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