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Prioridade de Jorge Tomé será capitalizar Grupo Banif

A assembleia-geral do Banif para eleger a administração, que será liderada por Jorge Tomé, decorre hoje no Funchal.

Maria João Gago mjgago@negocios.pt 22 de Março de 2012 às 09:32
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O reforço dos rácios de capital do Banif SGPS, que terminou 2011 com um nível de solidez mais exigente ("core tier one") abaixo de 9%, vai ser a prioridade da nova gestão do grupo, cuja liderança executiva será assumida por Jorge Tomé. O até aqui administrador da Caixa Geral de Depósitos vai ser eleito presidente executivo do grupo fundado por Horácio Roque numa assembleia geral a ter lugar em meados de Março. Já o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, será presidente não executivo da administração.

Além do cumprimento da meta de solidez prevista para o final de 2011, e que o Banif SGPS se comprometeu junto do Banco de Portugal a alcançar até 31 de Março próximo, a nova equipa de gestão do grupo terá ainda de pôr em prática um plano de capitalização que lhe permita elevar o "core tier one" para 10% até ao final deste ano. Para cumprir a meta definida pela troika internacional, o grande desafio da nova administração da "holding" financeira será evitar o recurso ao apoio do Estado. Uma possibilidade que ainda não estará excluída.

Nas próximas semanas, Tomé, Amado e as filhas de Horácio Roque, que controlam o grupo, vão escolher os elementos que vão completar a equipa do conselho de administração a eleger em Março. O Negócios sabe que entre os membros da comissão executiva haverá vários quadros do universo Banif. Uma opção que não é alheia ao facto de Jorge Tomé já ter trabalhado no grupo, cuja equipa conhece bem. Além da prata da casa, o elenco de gestores executivos deverá integrar ainda um ou dois elementos recrutados no mercado.

Segundo apurou o Negócios, há algumas semanas que as herdeiras do fundador do Banif desafiaram Tomé a regressar ao grupo como líder executivo. O facto de Luís Amado já ter aceite o convite de Teresa e Cristina Roque para ser "chairman" da "holding" terá ajudado a convencer o gestor da CGD. Os dois responsáveis mantiveram relações próximas nos últimos anos, uma vez que as responsabilidades de Tomé no banco do Estado o fizeram participar em diversas missões ao exterior em que o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros era presença obrigatória, designadamente em diversos países africanos.

A eleição da nova equipa de administração do Banif SGPS marcará o início de uma nova fase do grupo, que implicará um corte com a era de Horácio Roque. A saída de Joaquim Marques dos Santos, actual "chairman", acabou por ser atrasada face à sua própria vontade, para que a morte do fundador não causasse problemas na "holding". Por seu turno, Carlos Duarte de Almeida, actual líder executivo, passará para a administração da Rentipar Financeira, onde está concentrada a posição accionista das irmãs Roque.

A mudança ocorre também depois de superada a disputa pela herança de Horácio Roque, no âmbito da qual as suas filhas ficaram com o grupo bancário e a última companheira do banqueiro, Paula Caetano, ficou com o controlo do negócio segurador, concentrado na Açoreana.

Grupo fechou 2011 com prejuízos

O Grupo Banif, à semelhança do que aconteceu com a esmagadora maioria dos grandes bancos nacionais, fechou 2011 com prejuízos. Um resultado negativo que se deverá, sobretudo, às imparidades de crédito exigidas pela troika internacional e ao impacto negativo da transferência do fundo de pensões para a Segurança Social.

Só as provisões adicionais apuradas na inspecção da troika “roubaram” 90 milhões de euros aos resultados do grupo fundado por Horácio Roque. Independentemente de factores extraordinários, nos primeiros nove meses do ano passado, a actividade corrente do banco já evidenciava fragilidades.

Até Setembro, o Banif SGPS lucrou 2,2 milhões de euros, uma quebra de 90,3% face a igual período de 2010. Esta diminuição reflectiu a queda de 18,8% evidenciada pela margem financeira, que se fixou em 211,5 milhões. Mas o que mais penalizou os resultados foi o aumento de 78%evidenciado pelas provisões e imparidades, que totalizaram 152 milhões.

No final do terceiro trimestre do ano passado, o desempenho do Banif SGPS só não foi negativo porque os resultados de operações financeiras cresceram 66%, para 35,9 milhões. Esta evolução reflectiu o ganho de 14,3 milhões conseguido com a recompra de dívida emitida pelo grupo, além do registo da opção de venda de 30% de uma corretora no Brasil, operação que rendeu 14,4 milhões.

Outro dado que contribuiu positivamente para o desempenho do Banif SGPS foi a subida de 43,1% dos outros proveitos de exploração, que ascenderam a 176 milhões, em resultado da mais-valia de 34 milhões gerada pela venda de 70% da corretora brasileira.

(Notícia publicada no Jornal de Negócios a 20 de Fevereiro)

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