Banca & Finanças PS considera "precipitado" pedido de exoneração de Carlos Costa

PS considera "precipitado" pedido de exoneração de Carlos Costa

O vice-presidente da bancada socialista defende que a exoneração do governador do Banco de Portugal iria "desvalorizar" a comissão de inquérito à gestão da CGD.
PS considera "precipitado" pedido de exoneração de Carlos Costa
Miguel Baltazar
Rita Atalaia 12 de fevereiro de 2019 às 13:32

João Paulo Correia, vice-presidente da bancada socialista, diz suspeitar da conduta de Carlos Costa enquanto administrador da Caixa Geral de Depósitos (CGD). Não apoia, porém, o pedido de exoneração do governador do Banco de Portugal por considerar que é "precipitado".

 

Na segunda-feira, o Bloco de Esquerda pediu ao Governo a exoneração de Carlos Costa. Num projeto de resolução que fizeram entrar no Parlamento, os bloquistas consideram que está em causa a sua idoneidade para exercer a função. Por isso, o BE "propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo que exonere o governador do Banco de Portugal".

 

Uma posição que tanto o CDS como o PCP se mostram disponíveis para apoiar. Da parte do Governo, ficou também uma garantia: vai apurar responsabilidades "sem olhar a quem".

 

"Temos obviamente suspeitas sobre a sua conduta, mas temos de aguardar que os inquéritos sejam concluídos e que apontem responsáveis e responsabilidades", afirmou João Paulo Correia no Fórum TSF.

 

O deputado considera que a saída imediata de Carlos Costa seria uma "desvalorização" da comissão de inquérito à CGD, que vai ser votada esta quinta-feira. "Seria muito precipitado avançar já com uma conclusão antes de iniciarmos o próprio inquérito parlamentar. A proposta de exoneração surge aqui como uma desvalorização", explicou o deputado socialista.

 

Foi na semana passada que o governador do Banco de Portugal pediu para não participar nas decisões da entidade que lidera sobre a auditoria realizada pela EY a 15 anos de gestão da Caixa Geral de Depósitos (CGD). Isto porque foi administrador do banco estatal entre 2004 e 2006.

 

O pedido foi feito depois de a revista Sábado ter avançado que o responsável  esteve em pelo menos quatro reuniões do conselho alargado de créditos nas quais foram aprovados empréstimos a devedores que acabaram por resultar em perdas elevadas para o banco público, e que foram auditados pela EY. E sem que haja registo de ter contestado ou questionado esses créditos.




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