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PS alerta para provável injecção adicional de capital no Novo Banco

Pedro Nuno Santos acredita que haverá "muito provavelmente uma injecção adicional no Novo Banco" e que irá impactar negativamente no défice de 2015. O deputado socialista afirma que "Passos Coelho não pode continuar a esconder-se atrás de Carlos Costa".

Pedro Nuno Santos. Pasta provável: Sem sector atribuído
Miguel Baltazar
David Santiago dsantiago@negocios.pt 23 de Setembro de 2015 às 13:50
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Não tardou a resposta socialista à revisão em alta do défice de 2014 na sequência da contabilização dos 4,9 mil milhões de euros injectados no Novo Banco (NB) nas contas do ano passado. Pedro Nuno Santos, deputado do PS que acompanhou o inquérito ao caso BES, apesar de admitir que "não sabemos quais serão as necessidades de injecção do NB", adianta que terá de haver, "muito provavelmente, uma injecção adicional no NB que vai somar ao défice, não de 2014, mas de 2015".

 

Esta quarta-feira, 23 de Setembro, o Instituto Nacional de Estatística (INE) reviu em alta, de 4,5% para 7,2%, o défice orçamental de 2014 depois de ter contabilizado, em consonância com as regras contabilísticas europeias, os 4,9 mil milhões de euros utilizados pelo Fundo de Resolução, accionista único do NB, para recapitalizar o banco liderado por Eduardo Stock da Cunha.

 

O INE teve de fazer este ajustamento contabilístico depois de o NB não ter sido vendido no prazo de um ano após a sua recapitalização. O adiamento da venda determinado pelo Banco de Portugal poderá determinar impactos negativos nas contas relativas aos défices de 2015 e 2016.

 

O cabeça de lista do PS pelo círculo de Aveiro, em declarações proferidas aos jornalistas em Águeda, aponta precisamente para esta possibilidade quando observa que mesmo não sendo conhecido "o custo do NB para 2015", os contribuintes portugueses poderão ter de injectar mais dinheiro naquele banco.

"Os últimos números do INE representam aquele que é o maior fracasso da governação de Passos Coelho. Este é mesmo o seu maior lapso", considerou o também vice-presidente da bancada parlamentar socialista ao mesmo tempo que ironizando sobre a situação em que Passos se equivocou quando anunciou um novo reembolso antecipado ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para depois esclarecer que pretendia referir-se ao reembolso de uma obrigação do Tesouro que vence a 15 de Outubro. 

 

Já depois de esta manhã o primeiro-ministro, Passos Coelho, ter defendido que os 3,9 mil milhões de euros emprestados pelo Estado ao Fundo de Resolução, "é dinheiro que está a render", Pedro Nuno Santos garantiu que o primeiro-ministro "não pode continuar a esconder-se atrás de Carlos Costa". Ainda assim, apesar das críticas socialistas à recondução de Carlos Costa enquanto governador do Banco de Portugal, o deputado do PS considera que a continuidade do banqueiro central não deve ser colocada em causa "porque vivemos num Estado de direito".

 

Até porque "a gestão do processo do NB não é responsabilidade de mais ninguém, é mesmo de Passos Coelho que prometeu uma venda rápida". Nuno Santos recordou que Vítor Bento, o primeiro presidente executivo do NB, saiu "em rota de colisão por não concordar com essa estratégia" de venda célere. Para realçar os falhanços do actual Governo, Pedro Nuno Santos lembrou que também em 2013, "esconderam o problema do BES para assegurar uma saída limpa" relativamente ao programa de ajustamento económico e financeiro da troika.

 

Por fim e já à entrada para o quarto dia oficial da campanha para as legislativas de 4 de Outubro, este economista do PS criticou o Executivo liderado por Passos por colocar "o défice orçamental praticamente nos mesmos níveis de 2011 e a dívida pública a aumentar". "Em 2015 preparamo-nos novamente para falhar a meta de 2015", atirou.

 

"Para que serviu tanto sacrifício?", questionou Pedro Nuno Santos que lamenta que Passos Coelho diga sempre "que são efeitos meramente contabilísticos" a justificar os desvios orçamentais. 

Jerónimo critica governação que fez "saque ao povo" para deixar défice na mesma

A revisão em alta do défice de 2014 por parte do INE também mereceu críticas por parte de Jerónimo de Sousa. O secretário-geral do PCP e líder da CDU, lamenta que depois de uma legislatura em que o actual Governo fez um "saque ao povo", o défice orçamental esteja agora num nível "idêntico ao de 2011". 

"Depois de anos de roubo de salários, reformas e pensões, aumento brutal de impostos sobre o trabalho, cortes e mais cortes na saúde dos portugueses, na educação, segurança social e na cultura, estes números são uma prova contundente daquilo que denunciámos e prevenimos - que a actual política de PSD e CDS e que o PS acompanha, assente na ditadura do défice e da submissão aos critérios do euro e do Tratado Orçamental, é um desastre nacional", proclamou Jerónimo de Sousa, citado pela Lusa.

Além do défice, o dirigente comunista acusou ainda Passos Coelho de "andar a dizer que anda a abater" a dívida pública para, "pasme-se", se confirmar, segundo dados ontem revelados pelo Banco de Portugal, que mostram que esta "tem vindo a crescer 8 milhões de euros por dia".

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