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PSD recusa Cavaco no inquérito ao BES por estar contra "tentativa de o envolver em manobras partidárias"

Os sociais-democratas rejeitam o depoimento por escrito de Ricardo Salgado no inquérito ao BES. "O Parlamento não tem competências para fiscalizar a sua actividade", defende o deputado do PSD Carlos Abreu Amorim.

Miguel Baltazar
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 03 de Fevereiro de 2015 às 12:06
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Já tinha sido antecipado mas veio agora a confirmação: o Partido Social Democrata rejeita a prestação de declarações por parte de Aníbal Cavaco Silva na comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do GES, pedida pela oposição. 

 

"O grupo parlamentar PSD considera que o requerimento apresentado pelo grupo parlamentar PCP, a pedir um depoimento escrito do Presidente da República, não passa de uma tentativa de o envolver em manobras partidárias e declara a sua determinação em votar contra", escreve a equipa de deputados coordenada por Carlos Abreu Amorim na resposta ao requerimento. 

 

O PCP, à semelhança dos restantes partidos da oposição PS e BE, solicitou esclarecimentos ao Presidente da República depois de Ricardo Salgado, ex-presidente do Banco Espírito Santo, ter reiterado ter tido dois encontros com Cavaco Silva em que lhe falou do banco e do grupo, na primeira metade de 2014. 

 

O PSD, que sustenta o Governo de coligação com o CDS, mostrou-se contra esta convocação. "De acordo com o nosso sistema político-constitucional, o Presidente da República não tem funções executivas e o Parlamento não tem competências para fiscalizar a sua actividade", assinala ainda o deputado social-democrata Carlos Abreu Amorim.

 

Na passada sexta-feira, o Chefe de Estado já tinha dado indicações de que não iria falar à Assembleia: "O Presidente da República não tem esclarecimentos adicionais a prestar", disse, referindo-se ao caso BES. Nesse dia, Cavaco Silva rejeitou que tenha falado, em Julho do ano passado, numa visita à Coreia do Sul sobre o banco – o Presidente da República defendeu que as declarações foram sobre o Banco de Portugal. Nas respostas que deu então aos jornalistas, Cavaco fez comentários não só sobre a actuação do regulador mas também do banco, nomeadamente dizendo que era preciso explicar a diferença entre as áreas financeira e não financeira do GES – e, garantiu, ele próprio também já tinha tido de dar essa explicação.

 

A oposição considera que Cavaco Silva pode ter tido conhecimento da situação do grupo e do banco antes do seu colapso e antes do aumento de capital realizado em Maio e Junho de 2014.

 

Paulo Portas é um dos nomes convocados para prestar declarações na comissão de inquérito ao BES desde o arranque dos trabalhos. A oposição quer agora marcar a mesma com "urgência" já que, em carta enviada ao inquérito parlamentar, Ricardo Salgado disse que, nos vários contactos que teve com o poder político, também falou com o vice-primeiro-ministro – algo que não tinha dito aos deputados a 9 de Dezembro, na sua audição.


Os partidos da oposição também querem ouvir explicações de Pedro Passos Coelho – contra essa prestação de esclarecimentos não houve recusa por parte do PSD. 

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