Banca & Finanças PT comprou 900 milhões de dívida ao GES, dono do seu principal accionista

PT comprou 900 milhões de dívida ao GES, dono do seu principal accionista

A operadora diz que o investimento em papel comercial do universo Espírito Santo foi de tesouraria e não qualquer financiamento. A CMVM está a analisar se foi cometida alguma irregularidade, conta o Expresso Diário.
PT comprou 900 milhões de dívida ao GES, dono do seu principal accionista
Negócios 26 de junho de 2014 às 17:47

A Portugal Telecom investiu em títulos de dívida de sociedades do Grupo Espírito Santo numa altura em que estas verificavam dificuldades financeiras. A informação, noticiada esta quinta-feira, 27 de Junho, pelo Expresso Diário, está a ser averiguada pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários. Poderá estar em causa um financiamento da PT ao seu maior accionista, o Banco Espírito Santo, cujo principal accionista é, precisamente, o GES.

 

O Expresso Diário conta que a operadora tem actualmente papel comercial (um título de dívida de muito curto prazo) emitido pela Rio Forte, empresa de topo da área não financeira do Grupo Espírito Santo. Esse título será reembolsado em Julho, depois de adquirido em Abril. Nesse mês, o papel comercial tinha sido emitido pela Espírito Santo International, a sociedade do GES que tinha "irregularidades" relevantes nas contas (entre as quais um buraco de 2,5 mil milhões de euros). A Rio Forte tem assumido a dívida da ESI, que está imediatamente acima de si na estrutura de participações do grupo.

 

O facto de a PT ter adquirido dívida de sociedades do GES poderá levantar questões sobre conflitos entre a empresa e seus accionistas. PT e BES são partes relacionadas: o Grupo Espírito Santo tem cerca de 10% do capital da empresa portuguesa; antes do aumento de capital do BES, a PT detinha 2,1% do banco.

 

Ou seja, o regulador do mercado de capitais terá de analisar se está em causa o financiamento de uma empresa ao grupo do seu principal accionista. Um financiamento que ocorre quando são conhecidos os problemas de liquidez da Espírito Santo International. Não foi possível obter um esclarecimento por parte da CMVM.

 

Em Abril, o BES ainda era controlado pelo GES, dado que ainda estava em vigor o acordo entre o Espírito Santo Financial Group e o Crédit Agricole, entretanto extinto. Neste momento, o GES, através do ESFG, tem 25,1% do BES, sendo o maior accionista, mas já não tem uma posição de controlo.

 

"Esta aplicação foi feita na preparação do processo de casamento que fizemos com a Oi. Foi uma aplicação a três meses", explicou ao Expresso Diário fonte oficial da Portugal Telecom. "A gestão de tesouraria não está compreendida na questão de partes relacionadas, a PT sempre geriu as suas aplicações consoante o melhor retorno", acrescentou.

 

O papel comercial da ESI, além de vendido a investidores institucionais, também foi adquirido a clientes do BES nos respectivos balcões - o que fez o Banco de Portugal obrigar o banco liderado por Ricardo Salgado a fazer uma provisão de 700 milhões de euros para garantir que esse dinheiro era reembolsado (provisão que acabou por ser feita nas contas do ESFG).




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