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PT assume necessidade de se analisar remuneração accionista do sector

A gestão da Portugal Telecom reafirma frustração com a cotação da empresa e garante que todos os operadores estão a fazer uma análise sobre a remuneração que o sector deve garantir aos accionistas, disse Zeinal Bava em entrevista à CNBC.

Negócios negocios@negocios.pt 31 de Maio de 2012 às 11:45
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Em entrevista à CNBC, Zeinal Bava, presidente da Portugal Telecom, afirmou: "estamos obviamente frustrados com a nossa cotação". E garantiu que "o sector está a debater qual o nível certo da remuneração que deve haver", não escondendo que o próprio conselho da PT vai ainda "considerar qual a política de dividendos a três anos".

"Todos nós temos de repensar qual é o nível certo de remuneração para ser sustentável e até que ponto é importante reforçar o balanço, porque os próximos dois, três anos vão ser mais desafiantes, mais voláteis". Ainda assim, Zeinal Bava mantém-se confiante com o progresso da Portugal Telecom, já que "continuamos focados na execução" e continua a bater, diz, os consensos do mercado. Mas admite que a exposição à economia portuguesa penaliza a cotação. Por isso, lembra que 60% do negócio da operadora é hoje realizado fora de Portugal.

Zeinal Bava não tem dúvidas que a companhia, em 10 anos, mudou. "Estamos mais bem preparados que a maior parte para os tempos que aí vêm". A PT, assegurou, passou de uma companhia de telecomunicações tradicional para uma empresa "triple play" e "assumimos uma grande participação no Brasil". "Hoje temos 95 milhões de clientes e 60% do nosso negócio está fora de Portugal. Diversificámos não apenas geograficamente, mas também a abrangência do nosso negócio".

"A PT é muito diferente de muitos grupos nossos congéneres", garantiu à CNBC, realçando a transformação do modelo de negócio. E é por isso que a PT obteve, no primeiro trimestre, um crescimento de 4% nas receitas residenciais. A mudança da voz para o vídeo e dados está feita, o que foi conseguido pelos investimentos feitos em tecnologia, como o desenvolvimento da rede de fibra óptica que cobre 30% dos lares. Zeinal Bava lembrou ainda o investimento no centro de dados que diz ser dos mais modernos a nível mundial e a cobertura de 80% da população com a quarta geração móvel.

"Hoje o que vemos é que somos menos dependentes da voz. Os dados já contam com 60/70% do negócio". E, por isso, com o que diz ser um modelo de negócio robusto, associado à oportunidade no Brasil, "as coisas vão melhorar".

Confiante no "outlook" para o Brasil

Zeinal Bava está confiante no desempenho económico do Brasil. A economia "continua bem". O PIB no ano passado cresceu 3%. No entanto, as taxas cambiais estão sob pressão. Mas "quando olhamos à volta, o Brasil é um negócio previsível, os bancos estão bem capitalizados, o consumo está a crescer", caracteriza Zeinal Bava, lembrando as taxas de penetração no móvel acima dos 100% e o crescimento das receitas a 10-11%. "Nos últimos 10 anos, 40 milhões de pessoas tornaram-se consumidores, pelo que o rendimendo disponível aumentou significativamente". Mas ainda há um caminho a percorrer quando se olha para a penetração da banda larga ou da televisão por subscrição. "Mantemo-nos muito confiantes sobre o 'outlook' futuro para Brasil".

Ciclo de investimento em Portugal fechado

Tal como já havia referido noutras ocasiões foi também nos écrãs da CNBC que Zeinal Bava confirmou que o ciclo de investimento agressivo em Portugal está a chegar ao fim. Há dois anos, a PT decidiu que tinha de investir em novas tecnologias, para competir com base na inovação e dar serviços relevantes. Por isso, desenvolveu a rede de fibra óptica e na quarta geração.

Se nesse período, o investimento chegou a 20% das vendas, agora é altura de começar a descer. "Este ciclo de investimento está a terminar". O peso do investimento nas vendas descerá para 16% e no próximo ano será mais baixo, mas Zeinal Bava também lembrou que o nível do capex depende da conquista de novos clientes. Metade do capex é gerado pela aquisição de clientes. Por isso, o nível depende deste factor.

Já o investimento no Brasil, da Oi, está em crescimento.


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