Empresas Quanto ganham os CEO do PSI-20

Quanto ganham os CEO do PSI-20

Os presidentes executivos das cotadas do principal índice da bolsa portuguesa viram a sua remuneração aumentar no ano passado. Veja quanto ganhou cada CEO, qual a variação face a 2014, o peso do salário no Conselho de Administração e qual a diferença face aos trabalhadores.
Miguel Baltazar/Negócios

Os presidentes executivos das maiores cotadas da bolsa receberam mais durante o último ano. Aumentos que vieram agravar o fosso face ao rendimento médio dos trabalhadores. Os funcionários precisam de trabalhar, em média, 25 anos para conseguirem o equivalente a um ano do rendimento dos gestores que comandam as empresas para as quais trabalham. 


Os CEO do PSI-20 auferiram, entre remuneração fixa, variável, diferida, contribuições para PPR e outras remunerações 15,4 milhões de euros brutos no ano passado, segundo cálculos do Negócios. É um aumento de 20% em relação ao auferido em 2014. Além de políticas remuneratórias mais atractivas, parte da subida pode ser explicada, em alguns casos, pela substituição de alguns CEO e pelo pagamento de remuneração plurianual.

 

As variações não foram todas iguais, com alguns CEO a aumentarem a remuneração e outros a baixarem. Para ver em detalhe clique em baixo em cada um dos CEO das 18 cotadas que actualmente integram o PSI-20.

 


Mais desiguais


Os sectores em que existe uma maior diferença entre os valores auferidos entre os CEO e os trabalhadores são o retalho e a energia. A Jerónimo Martins é a cotada em que existe um maior hiato. Pedro Soares dos Santos encaixou 865.660 euros em 2015, mais 72 vezes que o custo médio da empresa com cada funcionário. Já na Sonae, Paulo Azevedo levou para casa 886.500 euros, mais 54 vezes que o custo médio de cada trabalhador.

Na energia também há diferenciais elevados. Na Galp Energias, os dois presidentes executivos que a empresa teve ao longo do último ano tiveram uma remuneração total de 2,56 milhões de euros, mais de 52 vezes que o custo médio da empresa por cada funcionário. Na EDP, António Mexia foi remunerado em mais de 1,8 milhões de euros, 34 vezes acima da média do custo com cada trabalhador. CTT e Semapa também têm rácios acima de 30 vezes. O mais baixo é o da Sonae Capital: 6,35 vezes.

 

Quem ganha mais

 

Os dois CEO da Galp Energia, em 2015, receberam um total de 2,5 milhões de euros, liderando a tabela dos mais bem pagos do PSI-20. Veja o "raking" na fotogaleria em cima.

 

Mulheres ganham menos

 

As cotadas do PSI-20 são mais generosas para com os homens do que com as mulheres na hora de remunerar os seus administradores. As administradoras das empresas da bolsa recebem, em média, menos cerca de 30% que os homens. E são poucos os casos das cotadas em que a remuneração dos elementos femininos supera a dos administradores.

As administradoras do PSI-20 receberam, em média, 171.318 euros em 2015, segundo cálculos do Negócios baseados nos dados constantes nos relatórios de Governo das Sociedades. A remuneração média das mulheres é 28% inferior à dos homens, que tiveram no ano passado, uma compensação média de 255.880 euros.

 

Os valores incluem as remunerações pagas tanto a administradores executivos como não-executivos, desde que tenham estado em funções durante todo o ano de 2015, para se poder ter uma comparabilidade dos dados. Os números excluem a Corticeira Amorim que não paga remunerações aos administradores não-executivos.

Contabilizando o bolo total reservado pelas empresas para remunerar administradores, desde que tenham recebido qualquer tipo de compensação independentemente do tempo que estiveram em funções, as mulheres ficaram com uma pequena proporção das remunerações. Receberam 4,43 milhões de euros num total de 62,15 milhões destinados aos administradores. Amealharam pouco mais de 7% do total, o que é explicado pela sua baixa representatividade nos órgãos de gestão das cotadas.

 

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