Empresas Quebra a nível operacional não impede subida de 15,5% do lucro da Semapa em 2013

Quebra a nível operacional não impede subida de 15,5% do lucro da Semapa em 2013

O grupo industrial registou um lucro de 146,1 milhões de euros em 2013, embora, em termos operacionais, os números tenham sido piores do que no ano anterior. A dívida da Semapa resvalou perto de 9%.
Quebra a nível operacional não impede subida de 15,5% do lucro da Semapa em 2013
Diogo Cavaleiro 12 de fevereiro de 2014 às 19:15

No ano em que esteve sob forte pressão mediática devido a uma luta familiar (entretanto resolvida), a Semapa, que controla a papeleira Portucel e detém a cimenteira Secil, apresentou um lucro de 146,1 milhões de euros. Um indicador que representa uma melhoria face ao ano anterior, mesmo apesar dos piores resultados a nível operacional.

 

O resultado líquido de 146,1 milhões de euros corresponde a uma subida de 15,5% face aos 126,5 milhões de euros alcançados no ano passado. A explicar esta evolução está, essencialmente, a rubrica de impostos sobre lucros que, no ano passado, havia-se fixado num pagamento de 70,9 milhões de euros e que, este ano, é de 39,4 milhões de euros positivos. Não foi possível ainda perceber, junto da empresa, o que justifica o desempenho.

 

Em termos de indicadores, o volume de vendas, “numa conjuntura negativa”, avançou 1,9% para os 1.990,5 milhões de euros, de acordo com o comunicado emitido pelo grupo liderado por Pedro Queiroz Pereira (na foto) à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

 

Como habitualmente, o grande contributo vem do papel e pasta (Portucel), que já havia reportado lucros acima do esperado. Ainda assim, os cimentos também foram importantes. Apesar de ter perdido receitas, a Secil passou a ser integrada totalmente nas contas da Semapa (até Junho eram apenas contabilizados 51% dos seus resultados), o que faz com que o seu volume de negócios tenha engordado.

 

Apesar da subida das vendas, na rubrica de outros proveitos da Semapa, verificou-se uma queda de 46% para 52 milhões de euros. Por sua vez, os custos da Semapa deslizaram 4,3% para os 1.620 milhões.

 

Em resultado, o EBITDA total (resultado operacional antes de juros, impostos, apreciações e amortizações) situou-se nos 422,1 milhões de euros, um deslize de 14,7% face a 2012. “Os itens de carácter não recorrente no valor de 26,3 milhões de euros ao nível das ‘holdings’” são apontados como elementos que prejudicaram este indicador. A margem de EBITDA, que compara o resultado com o volume de vendas, fixou-se em 21,2% no ano passado, 4,1 pontos percentuais abaixo de 2012.

 

Os resultados financeiros também se agravaram no ano passado, pelo que os resultados antes de impostos de 2013 eram piores do que os do ano anterior. É, então, com os impostos sobre os lucros (positivos no ano passado e negativos em 2012) que a Semapa consegue verificar a referida melhoria de 15,5% do resultado líquido.

 

Já a dívida líquida consolidada da companhia industrial (além do papel e dos cimentos tem negócios a nível ambiental) era de 1.324,8 milhões de euros a 31 de Dezembro de 2013, um recuo de 128,2 milhões de euros em relação à dívida registada um ano antes, “o que evidencia a capacidade de geração de ‘cash flow’ do grupo após pagamento de dividendos e realização de investimentos”.

 

Em bolsa, o grupo de Queiroz Pereira tem apresentado um comportamento positivo. Depois de avançar 43% no ano passado (o índice PSI-20 somou 16%), em 2014 o ganho cifra-se em 22,8%. Apesar disso, as acções encerraram esta quarta-feira, 12 de Fevereiro, a perder 0,45% face ao fecho da sessão anterior. Cada título vale 10 euros.