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"É mais difícil resolver o problema do desemprego pela via dos grandes projectos"

A actual crise económica e financeira, sobre a qual "se desconhece a profundidade, a longevidade e ninguém aceita dizer quando vai acabar", veio mostrar que "é mais difícil resolver o problema do desemprego pela via dos grandes projectos".

Isabel Cristina Costa iccosta@negocios.pt 10 de Março de 2009 às 20:28
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A actual crise económica e financeira, sobre a qual “se desconhece a profundidade, a longevidade e ninguém aceita dizer quando vai acabar”, veio mostrar que “é mais difícil resolver o problema do desemprego pela via dos grandes projectos”.

Quem o afirma é o patrão da Sonae, Belmiro de Azevedo que esteve ao final da tarde de hoje na Escola de Gestão do Porto (EGP) na apresentação do livro “O Medo do Insucesso Nacional”, do economista Álvaro Santos Pereira e onde assina o prefácio.

Belmiro de Azevedo, que evitou os jornalistas, disse ainda que se tem que “entrar em projectos que tenham sentido económico”. E “mais importante do que criar projectos é abortar um projecto em tempo útil”, para evitar maiores perdas de recursos.

O patrão da Sonae explicava que hoje, e ao contrário da crise de 1929, os desempregados em Portugal não têm nenhuma ‘skill’ (habilidade, competência) para ir para o campo, fazer estradas e pontes. Hoje o desemprego é mais difícil de resolver pela via dos grandes projectos”, concluiu. Porque, nos grandes projectos, “cada posto de trabalho custa milhões de euros, é caríssimo, com impactos negativos, muita tecnologia é importada, a mão-de-obra é muito qualificada e cara, e a componente nacional é muito baixa”.

Para Belmiro de Azevedo vencer é antónimo de pensamento único, “há que estar preparado para recomeçar”. “A pessoa tem que gostar do risco, a cabeça aberta e ter ideias novas. É preciso arejar e deixar-se surpreender”, continuou. E deu o exemplo das telecomunicações, que “tem repetidores, qualquer dia estamos num grande coro de pensamento único”.

Já o autor de “O Medo do Insucesso Nacional”, o macro-economista Álvaro Santos Pereira, que lecciona no Canadá, é bastante crítico quando ao TGV (comboio de alta velocidade): “Temos que aproveitar esta crise para reforçar e não desbaratar em quimeras como o TGV”.

Álvaro Santos Pereira também criticou a obsessão pelo défice porque “em tempos de crise os défices orçamentais são um pormenor. Não podemos estar sempre a dizer sim a Bruxelas, só porque nos quer impor uma política em tempo de crise. Temos que reagir e utilizar uma política económica que ajude as nossas empresas”.

Também na apresentação do livro esteve Daniel Bessa que o sintetizou naquilo a que chamou de “estratégia a e i o u: arriscar, estudar, inovar, organizar e utilização das vantagens comparativas”. O ex-ministro da Economia aproveitou a deixa e falou do TGV, dizendo que “uma das coisas que me assusta são os estudos da RAVE, que deviam ser postos fora de circulação por razões de pudor e de decência”.

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