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"Maioria dos investidores levam menos em conta o 'rating' e muito mais a capacidade da empresa em gerar cash flow"

O administrador financeiro da Portugal Telecom considera que o facto da empresa ter um "rating" de "Ba1" ou de Ba2" não tem um grande impacto. Isto porque, no actual nível de "rating" os investidores tendem a valorizar mais a capacidade de se gerar "cash flow" do que a notação financeira.

Sara Antunes saraantunes@negocios.pt 17 de Fevereiro de 2012 às 16:47
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"A maioria dos investidores em dívida emitida por entidades em ‘sub investment grade’, na sua decisão de investimento levam menos em conta o ‘rating’ das empresas e muito mais a capacidade da empresa em gerar ‘cash flow’ para pagar as dívidas. Assim, o ser Ba1 ou Ba2 não deverá ter impacto na situação em que já nos encontramos”, afirmou ao Negócios Luís Pacheco de Melo.

As declarações surgem depois de ontem a Moody’s ter mantido o “rating” da Portugal Telecom em “Ba1”, o que já é um nível considerado de “lixo”, ainda que dois níveis acima do da República, que se encontra actualmente em “Ba3”.

A mesma agência ameaçou cortar a notação financeira de mais de 100 bancos europeus, entre os quais sete portugueses.

O administrador financeiro da operadora, a propósito dos cortes de “rating” sucessivos realizados nos últimos meses pelas várias agências de notação financeira a Portugal e às empresas nacionais, considera que “é inegável que a Europa atravessa um período de incerteza e de instabilidade e que isso leve a uma reanálise contínua pelas agências. Neste contexto mais adverso as agências têm optado por associar muito mais o rating das empresas ao rating dos países onde estas estão domiciliadas.”

Um factor que também tem afectado a própria PT. “ As agências de ‘rating’ têm critérios muito claros que implicam que uma empresa, dependendo da indústria onde opera, não possa ter mais de uma nota e, em alguns casos, duas notas acima do ‘rating’ da República, algo que no passado não acontecia”. O que acaba por limitar também a operadora, porque “apesar de ter uma parte importante da sua actividade fora de Portugal e de ter toda a sua dívida refinanciada até 2014, nunca poderá ter um ‘rating’ mais de uma, ou no limite duas notas acima da República como acontece neste momento.”

Moody’s mais exigente

Luís Pacheco de Melo salienta ainda que, a Moody’s “alterou as anteriores regras e, hoje está a exigir que a PT apresente rácios financeiros equivalentes aos exigidos a uma empresa Baa2 (duas notas acima do actual rating da PT).

Independentemente da situação do seu rating, a PT continuará focada na sua execução operacional e financeira como o tem feito ao longo dos últimos anos”, garante.

“A aposta que a PT fez na sua internacionalização e na diversificação de produtos e serviços em Portugal tornou a nossa oferta mais resiliente, apesar de não estarmos imunes às condições de mercado. Assim, a PT vai manter uma forte disciplina financeira e de custos para continuar a gerar níveis sustentáveis de cash-flow”, assegura o administrador da Portugal Telecom.

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