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"Os polacos admiram os portugueses pela sua capacidade de adaptação"

A EDP Renováveis inaugura hoje o seu primeiro parque eólico na Polónia. O Negócios falou com o presidente da AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, Basílio Horta, que em respostas por escrito destacou as oportunidades que o mercado polaco tem para as empresas portuguesas, gerando um crescente interesse dos investidores nacionais.

Miguel Prado miguelprado@negocios.pt 15 de Outubro de 2009 às 09:00
A EDP Renováveis inaugura hoje o seu primeiro parque eólico na Polónia. O Negócios falou com o presidente da AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, Basílio Horta, que em respostas por escrito destacou as oportunidades que o mercado polaco tem para as empresas portuguesas, gerando um crescente interesse dos investidores nacionais.



Além da EDP, a AICEP tem conhecimento de outros investimentos portugueses na área de energia na Polónia? De que empresas?



Para além da EDP, também a Martifer está envolvida na construção de parques eólicos na Polónia. De assinalar que as energias alternativas são fundamentais para a Polónia com vista a reduzir a sua dependência das energias tradicionais, nomeadamente da energia com origem no carvão (altamente poluidora com consequências nas emissões de CO2) e do gás (fornecimento a partir da Rússia através da Ucrânia, cujo abastecimento está sujeito ao relacionamento russo-ucraniano). A utilização da energia atómica está a ser ponderada mas uma central atómica na Polónia não começará a funcionar antes de 2020.



De uma maneira geral, quais têm sido as solicitações que os empresários portugueses fazem à AICEP e à sua delegação em Varsóvia?



As solicitações são muito variadas. Pedido de lista de importadores/distribuidores, pedido de apoio sobre a legislação local, pedido de apoio nos contactos com agentes económicos locais, pedidos de informação sobre a economia local e sobre a forma de comercialização, pedido de documentação sobre fundos comunitários na Polónia, etc. As informações são enviadas para a AICEP Sede, que através dos gestores de clientes as disponibiliza aos agentes económicos portugueses. Verifica-se muitas vezes que as empresas se deslocam ao mercado e solicitam reuniões nos nossos escritórios respondendo-se nessa altura a todos os pedidos formulados.


É verdade que a Polónia tem um problema de excessiva burocracia para o desenvolvimento de novos negócios?



Pese embora o Banco Mundial através da sua publicação "Doing Business 2009" continue a considerar a Polónia um país em que a burocracia pesa, esta não é superior à existente em outros países da região. Os problemas são mais complicados no que se refere ao investimento directo visto se tornar necessário conhecer as regras estabelecidas na Polónia. No entanto, o PAIiZ (organização polaca responsável pela captação do investimento estrangeiro e com quem a AICEP tem um acordo de cooperação) está também disponível a dar apoio às empresas estrangeiras que pretendem realizar investimentos na Polónia dando inclusivamente um apoio 'taylor made' muito útil e conveniente para quem quer investir na Polónia.


Qual a visão que as autoridades polacas têm do investimento externo? Como encaram o interesse das empresas portuguesas de vários sectores em investir no país?



As autoridades polacas consideram fundamental para o desenvolvimento do país a captação do investimento estrangeiro. Mas tal como em Portugal, as autoridades dão prioridade sobretudo ao investimento estruturante que permita a criação de maior valor acrescentado, nomeadamente nas áreas mais tecnológicas. O investimento português na Polónia atinge valores consideráveis, o posicionamento de alguns grupos portugueses (designadamente Jerónimo Martins e o banco Millennium) no mercado polaco é muito significativo, a participação de empresas portuguesas sobretudo na modernização do país no que se refere às infra-estruturas é elogiada pelas autoridades locais. Mas a Polónia é o país da União Europeia que vai receber no período de 2007-2013 maiores apoios comunitários, aquele que apresenta em carteira maior número de projectos e como tal é preciso não subestimar a presença de outros concorrentes. A juntar a tudo isto a Polónia é, neste momento, o país da União Europeia que está a obter melhores resultados económicos prevendo-se para este ano um crescimento da sua economia. Se nos primeiros tempos da crise internacional a procura interna permitiu suavizar os efeitos da crise, actualmente a estabilização em países da Europa Ocidental e sobretudo na Alemanha permite que seja o comércio externo o motor da economia polaca.



A instalação de interesses empresariais portugueses na Polónia choca de alguma maneira com um sentimento dos polacos de nacionalismo ou antipatia pelo que vem de fora?



Muito pelo contrário. Os polacos sentem-se cada vez mais europeus e pretendem ultrapassar rapidamente o 'gap' que os separa dos países mais avançados da Europa. Quanto ao número de habitantes e quanto à sua superfície são dos maiores da Europa. Apenas falta a performance económica. É nesse sentido que os polacos se têm envolvido. A Polónia é um país cada vez mais internacionalizado quer pela sua emigração para os Estados Unidos e para a Europa quer pela captação do investimento estrangeiro. A Polónia será tanto mais independente quanto maiores forem os seus laços com a União Europeia. Mas como muito bem diz é um país nacionalista e foi a partir desse nacionalismo que conseguiu sobreviver e recuperar a sua independência no passado. É preciso que as empresas estrangeiras tenham a sensibilidade necessária para compreender que as empresas que criam são empresas polacas com capital estrangeiro. E as empresas e os grupos económicos portugueses experientes duma história secular tem-se adaptado a este sentimento e neste sentido as empresas portuguesas estabelecidas na Polónia são empresas polacas com capital português. Os polacos sabem que essa é a nossa forma de estar e admiram os portugueses pela sua capacidade de adaptação.

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