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Refinanciamento de dívida e operação no Brasil são positivos para Sonae mas têm impacto neutral

Os analistas das casas de investimento elogiam a operação de refinanciamento de 240 milhões de euros da Sonae SGPS, mas consideram que este tipo de notícias já não é um catalizador de valorizações. Em relação ao novo parceiro na Sonae Sierra Brasil, o valor do negócio é animador mas há incertezas sobre futuro estratégico.

11- Paulo Azevedo, Sonae SGPS. 0,72%
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 11 de Março de 2014 às 13:50
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A Sonae conseguiu refinanciar títulos de dívida que tinha de pagar até ao próximo ano. Os analistas consideram que é uma notícia com contornos positivos. Mas não é uma surpresa nem será capaz de impulsionar a acção.

 

“Congratulamos este prolongamento da maturidade média da dívida da Sonae e o facto de a maior parte do refinanciamento até 2015 estar já concluído”, comenta o analista da unidade de investimento do BESI Filipe Rosa, relativamente ao comunicado emitido ontem pela dona dos supermercados Continente sobre um conjunto de operações de financiamento de dívida, entre cinco e sete anos, no valor global de 240 milhões de euros.

 

Estas operações “permitem antecipar com condições favoráveis uma parte significativa do programa de refinanciamento da dívida de médio e longo prazo que se vence até ao final de 2015”, como aponta a empresa presidida por Paulo Azevedo no comunicado.

 

As exigências de refinanciamento da Sonae estimadas para 2014 encontravam-se em torno de 250 milhões de euros sendo que, para 2015, o valor ascendia a 950 milhões de euros, de acordo com as contas relativas ao final de Setembro do ano passado. O BPI Equity Research acredita que, com as operações anunciadas ontem, “a Sonae completou praticamente todas as necessidades de financiamento até ao final de 2015”. Mas não há razões para grandes euforias.

 

“Após a redução do diferencial entre taxas soberanas [Portugal e Alemanha] e a normalização gradual do mercado de capitais, acreditamos que as notícias relacionadas com o refinanciamento já não são um grande dinamizador do preço da acção da Sonae”, escreve Filipe Rosa no comentário diário do BESI, no dia em que a casa de investimento subiu o preço-alvo para a cotada.

 

É no mesmo sentido que o analista José Mota Freitas, do CaixaBI, faz a sua avaliação: a operação “é positiva para a empresa, muito embora não constitua uma surpresa significativa”. Nesse sentido, “o impacto na cotação da Sonae deverá ser neutro”.

 

Neste momento, as acções da Sonae SGPS estão a avançar 0,61% para negociarem nos 1,33 euros, tendo já chegado a somar mais de 1%. A empresa, avaliada a este preço nos 2.660 milhões de euros, acumula uma subida de 26,79% desde o início do ano.

 

Valor da Sonae Sierra Brasil é “positivo”

 

Uma outra notícia sobre a Sonae analisada esta manhã pelos especialistas das casas de investimento tem que ver com a Sonae Sierra Brasil. A Sonae Sierra tem uma parceria com a norte-americana DDR, em que cada uma tem 50% de uma sociedade, a Sonae Sierra Brazil BV Sarl. Por sua vez, essa sociedade tem 67% da Sonae Sierra Brasil, dona de 10 centros comerciais no Brasil. Segundo o BPI Equity Research, a Sonae SGPS tem uma participação efectiva de 16,67% na gestora de centros comerciais brasileira.

 

A DDR anunciou ontem que pretende vender a sua participação de 50% naquela parceria a Alexander Otto. A operação está avaliada em 343,6 milhões de dólares, ou seja, cerca de 250 milhões de euros.

 

O valor, além da participação da DDR no centro comercial Parque Dom Pedro, tem em conta um preço por acção de 26 reais da Sonae Sierra Brasil. Um prémio face de 67% face ao fecho do dia anterior, 15,6 reais. Ontem, os títulos reagiram em alta, somaram 9,94%, e estão hoje a ganhar 1,11% para os 17,34 reais.

 

“Este negócio mostra que o valor da empresa dos activos brasileiros tem sido altamente distorcido pelo mercado”, segundo os especialistas do BPI Equity Research.

 

Tanto o BESI como o CaixaBI comentam, igualmente, que o preço da operação é “positivo” para o título, embora admitam que seja difícil de estimar o impacto de longo prazo. José Mota Freitas, da casa de investimento da CGD, diz mesmo que isso “irá depender do alinhamento da visão de ambos os parceiros [Sonae Sierra e Alexander Otto] para a estratégia da Sonae Sierra Brasil”.

 

 

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de “research” emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de “research” na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro.

 

 

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