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Regiões deprimidas devem apostar na tecnologia e no reforço das competências

O professor Daniel Bessa publicou, hoje, o relatório no âmbito do Programa para a Recuperação das Áreas e Sectores Deprimidos (PRASD), evidenciando a necessidade de aposta na tecnologia e nas competências estratégicas de cada região.

Bárbara Leite 01 de Outubro de 2003 às 13:40
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O professor Daniel Bessa publicou, hoje, o relatório no âmbito do Programa para a Recuperação das Áreas e Sectores Deprimidos (PRASD), evidenciando a necessidade de aposta na tecnologia e nas competências estratégicas de cada região. O interior, segundo Bessa, não deve enveredar pela captação de projectos de grande envergadura.

O relatório, além de especificar as dificuldades de cada região deprimida, avança 10 recomendações estratégicas para inverter esta situação.

O professor Daniel Bessa e a sua equipa chegaram à conclusão que algumas regiões nacionais devem beneficiar de uma discriminação positiva, com incentivos fiscais e parafiscais, incentivos financeiros e instrumentos de política social. Para dinamizar a economia, Bessa prefere dar privilégio às actividades transaccionáveis, que possam afirmar-se em mercados internacionais, estimulando também actividades emergentes.

Para alavancar o sector transaccionável, Bessa avança que deve prosseguir o desenvolvimento das infra-estruturas.

Nas regiões do interior, Bessa recomenda que se prossiga o esforço de urbanização e «não insistir em quaisquer propósitos de atracção ou de estímulo de projectos empresariais de grande envergadura», segundo o relatório elaborado no âmbito do Programa para a Recuperação das Áreas e Sectores Deprimidos (PRASD).

No interior de Portugal, deve apostar-se em produção de qualidade, com «maior intensidade tecnológica ou mais intensivos em recursos humanos qualificados», revela o relatório, acrescentando que mesmo as actividades tradicionais devem introduzir esta componente tecnológica na produção. Para isso, a região deve seguir uma política de atracção de profissionais qualificados portugueses e estrangeiros.

Daniel Bessa recomenda que «não se ignore» o papel das entidades públicas, como Universidades e Câmaras Municipais para auxiliarem na recuperação do interior do país.

Os centros urbanos no interior devem ser dotados de acesso às novas tecnologias com vantagens competitivas neste domínio.

O interior terá que apostar na comercialização dos produtos agrícolas, artesanais e dos produtos turísticos regionais. Para aumentar a notoriedade dessas marcas regionais, por exemplo, nas regiões do Douro, Serra da Estrela e Alentejo, Bessa aconselha que se realize um estudo sobre a notoriedade das marcas e dos produtos que essas marcas podem acolher.

Para o interior, devem ainda ir as unidades de produção de energia renováveis, como a eólica, mas assegurando a retenção de parte do valor produzido com esta actividade.

Este trabalho inclui ainda aplicações práticas destas recomendações.

Trás-os-Montes e Alto Douro

Para os Trás-os-Montes e Alto Douro, o professor lembra que o projecto turístico do Douro deve prosseguir e que deve existir apoio público para reforçar a marca do Douro. Deve ser criado um «centro de excelência nos domínios florestal e agro-pecuário», com apoio das universidades.

Nesta região, Bessa pretende que ser crie um «ninho» de empresas tecnológicas. E promover, na Régua, uma plataforma logística vocacionada para o sector do vinho em geral e do vinho do Porto em particular.

Cávado e Ave

Para a região do Cavado e Ave, Bessa coloca a hipótese de promover uma acção para consolidação das actividades têxtil-lar português nos principais mercados de exportação.

Nesta região seria interessante a constituição de um «cluster» de actividades de informática e a constituição de empresas que utilizem intensivamente materiais, como plástico.

Esta zona do país, poderá ainda apostar na produção de componente para a indústria automóvel, nomeadamente na área da electrónica automóvel.

Tâmega

A região do Tâmega deve apostar na indústria do calçado, vestuário e confecção, bem como estudar a possibilidade de desenvolver uma actividade voluntarista dirigida à indústria do mobiliário, tendo em vista a formação de empresários e quadros superior.

Beira Interior

Na Beira Interior, Bessa recomenda que se conceda aos parques industriais da Guarda, Covilhã, Fundão e Castelo Branco, o estatuto de Área de Localização Empresarial.

Nesta região, deve ser concretizado o projecto «Parkurbis» para atrair empresas de maior intensidade tecnológica e de maior valor acrescentado e o projecto de regadio da Cova da Beira.

Bessa avança ainda que deve ser feito um estudo à notoriedade da marca Serra da Estrela em Espanha e averiguar a possibilidade de comercialização desses produtos e efectuar um esforço de eventual exportação dos produtos do pólo Laneiro da Cova da Beira.

Pinhal Interior Norte e Pinhal Interior Sul

Nesta região de Pinhal Interior Norte e Pinhal Interior Sul, Bessa apostava no melhor aproveitamento do potencial florestal e na sua conservação.

Nesta zona, deve ainda implementar-se um «plano de acção tendente a atrair empresas das indústrias da madeira e do mobiliário», destaca o relatório.

Um plano de formação para jovens agricultores, como objectivo de promover a diversificação e valorização da produção agrícola é outra das recomendação do professor Daniel Bessa.

Alentejo

Para o Alentejo, Bessa sublinha que deve ser prosseguido o projecto do Alqueva e estudar, com celeridade, as condições da região para fins turísticos a fim de dar resposta a interesses de investimento já existentes.

A promoção da base aérea de Beja para atrair investimento directo estrangeiro (IDE) é outras das vias para dinamizar esta região deprimida.

Para esta região, Bessa recomenda um estudo, à semelhança do avançado para a Serra da Estrela para ver potencialidades na exportação para Espanha de produtos alentejanos.

Será ainda preciso identificar o conjunto de parques industriais para serem convertidos em Áreas de Localização Empresarial.

O Alentejo precisará ainda de promover a agricultura biológica e adoptar um programa de apoio de integração dos estrangeiros.

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