Banca & Finanças Regulador suíço abre processo de insolvência do Banque Privée Espírito Santo

Regulador suíço abre processo de insolvência do Banque Privée Espírito Santo

O regulador de mercado helvético vai nomear um administrador de insolvência para começar a reembolsar os depositantes, com depósitos até aos 100 mil francos suíços. O supervisor diz que o banco tem "suficientes recursos e activos líquidos" para pagar estes depósitos.
Regulador suíço abre processo de insolvência do Banque Privée Espírito Santo
André Cabrita-Mendes 19 de setembro de 2014 às 10:14

O regulador financeiro suíço abriu o processo de insolvência do Banque Privée Espírito Santo. A instituição do Grupo Espírito Santo (GES) encontrava-se em liquidação voluntária desde Julho.

 

A decisão foi anunciada esta sexta-feira, 19 de Setembro, pela Finma (Autorité fédérale de surveillance des marchés financiers) que durante a sua avaliação apurou que o banco estava insolvente.

 

O supervisor garante que de "acordo com as actuais estimativas, o banco está na posição de reembolsar rapidamente" os depósitos até 100 mil francos suíços.

 

No comunicado, a Finma explica que "o facto do banco estar em liquidação resultou na necessidade de ter de reavaliar rigorosamente os seus activos. Mais, uma empresa em liquidação deve fazer provisões para os custos necessários para continuar operações até entregar a sua licença bancária".

 

A autoridade financeira concluiu assim que a "quantidade de capital próprio disponível para o banco suíço já não é suficiente" e que "recapitalizar o banco através da participação dos actuais accionistas não é possível, porque as empresas detentoras do Grupo Espírito Santo estão também insolventes".

 

Com estes pratos na balança, a Finma decidiu dar início aos procedimentos de falência tendo nomeado um administrador para gerir este processo.

 

O "objectivo principal" destas medidas é "proteger os depositantes", afirma. "Um dos primeiros passos que o administrador de insolvência vai tomar é o reembolso de depósitos privilegiados", até 100 mil francos suíços (82,86 mil euros). Neste momento, não está em cima da mesa recorrer ao fundo de garantia de depósitos suíço (Esisuisse).

 

A Finma avança que as "estimativas actuais indicam que o banco tem suficientes recursos e activos líquidos para reembolsar os seus clientes com depósitos privilegiados", sublinhando que a  "maioria dos depósitos dos clientes do banco são privilegiados".

 

Processo de investigação ainda está a decorrer

Sobre o processso para averiguar o papel desempenhado pelo Banque Privée Espírito Santo na distribuição de "títulos e produtos financeiros do Grupo Espírito Santo, o regulador diz que o mesmo "está a decorrer".

 

Foi no início de Setembro que o supervisor anunciou que abriu a investigação à instituição para examinar se "ocorreram violações da lei de supervisão" na venda de títulos e produtos financeiros pelo Banque Privée Espírito Santo e para apurar qual foi a actuação dos "donos do banco".

 

A instituição helvética mostrou "total disponibilidade" na altura para colaborar com as autoridades suíças.

 

A Finma sublinha que apesar de várias empresas do GES terem entrado em incumprimento de pagamentos, o Banque Privée Espírito Santo "não estava consideravelmente exposto a estas empresas".

 

A "perda de confiança após o colapso do GES colocou sérios problemas" ao Banque Privée "particularmente porque não foi incluído nas medidas de reestruturação ordenadas pelas autoridades portuguesas" ao BES.

 

A Finma garante que tem estado a "supervisionar atentamente" o banco suíço durante esta fase, tendo pedido ao banco para tomar acções para "gerir a crise".

 

Assim, o Banque Privée vendeu em Julho partes significativas do seu portefólio de clientes ao CBH Compagnie Bancaire Hevétique. Isto permitiu ao banco reduzir a sua folha de balanços e reforçar a sua base de capital.

 

Foi então que o Banque Privée anunciou que iria cessar operações e entrar em liquidação voluntária. Desta forma, o balanço do banco caiu dos 600 milhões de francos suíços para os actuais 80 milhões de francos suíços, "tomando as provisões necessárias", o que reduziu o número de depositantes afectados pela falência.

 

O Banque  Privée surge mencionado num artigo do Wall Street Journal publicado a 13 de Agosto sobre a Eurofin, sociedade suíça de serviços financeiros, e que os reguladores portugueses que tenha tido um papel central na derrocada do Grupo Espírito Santo. Segundo o WSJ, a Eurofin geriu uma série de fundos de investimento que foram vendidos a clientes do Banque Privée.

 

A Finma colocou também à disposição dos clientes do Banque Privée Espírito Santo um guia para dar resposta às suas dúvidas.




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