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Rei dos cogumelos Cor(r)e com tomates para assinar na quarta-feira

Após três adiamentos, a escritura de venda dos créditos das instituições bancárias no grupo Sousacamp à capital de risco Core Capital, que conta com a participação da produtora de tomate Sugal, foi remarcada para o dia 27, a 24 horas da data-limite judicialmente estabelecida.

No verão de 2016, Marcelo Rebelo de Sousa visitou a empresa fundada por Artur Sousa (à direita, na foto). José Coelho/Lusa
Rui Neves ruineves@negocios.pt 25 de Maio de 2020 às 19:31
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Inicialmente agendada para o dia 18 de maio, foi remarcada para o dia seguinte, para ser novamente adiada para o dia 22, tendo passado para esta segunda-feira, dia 25.

 

Mas ainda não foi hoje que se realizou a escritura da cessão de créditos das instituições bancárias no maior produtor português de cogumelos a favor da Core Capital, num processo de insolvência que contempla um perdão global da ordem dos 54 milhões de euros.

 

"Houve que fazer umas pequenas alterações de pormenor a um dos documentos, e uma vez que existe o prazo até dia 28, conforme o despacho judicial favorável ao requerimento que apresentei, decidiu-se alterar a data. Será na quarta-feira, dia 27", adiantou ao Negócios o administrador judicial do grupo Sousacamp, Bruno Costa Pereira.

 

O grupo Sugal, um dos maiores produtores mundiais de tomate concentrado, que é detido pela família Ortigão Costa, já é acionista da Core Capital e terá uma participação direta de 10% na Sousacamp, que emprega cerca de 400 pessoas.

 

Em causa está a venda dos créditos do Novo Banco e do Crédito Agrícola, os maiores credores da Sousacamp, que inicialmente tinham concordado em perdoar cerca de 37 milhões, mas que entretanto acordaram em fazer um "haircut" adicional de dois milhões de euros.

Depois de ter aceitado perdoar 24 milhões dos mais de 34 milhões de euros que tinha a haver no grupo, o Novo Banco aceitou perdoar mais 1,4 milhões, enquanto o grupo Caixa Agrícola Mútuo, que já tinha feito um desconto de 11 milhões dos 15,9 milhões que reclamava, acabou por perdoar mais 700 mil euros.

 

Contas feitas, a Core Capital e a sua parceira Sugal irão ficar com o maior produtor nacional de cogumelos através da liquidação dos créditos daquelas duas instituições, de cerca de 12,3 milhões de euros, assumindo, ainda, as dívidas ao Fisco (2,4 milhões de euros) e à Segurança Social (881 mil euros).

 

A Core Capital foi criada por Nuno Fernandes Thomaz, ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos, Martim Avillez Figueiredo, que fundou o jornal "i" e dirigiu o extinto "Diário Económico", Pedro Araújo e Sá, que foi durante vários anos administrador da Cofina Media, e Pedro Soares David, que trabalhou na ASK e nos bancos Finantia e Banif Investment Banking.

 

Fundamental para o acordo final de recuperação do maior produtor nacional de cogumelos, que emprega cerca de 400 pessoas, foi também o papel do credor público IFAP (Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas), que aceitou suspender uma garantia bancária, de 5,2 milhões, por conta do financiamento de 17milhões de um projeto da Sousacamp que parou a meio.

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