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REN sofre maior queda desde o Brexit após anunciar aumento de capital

O mercado está a reagir de forma desfavorável ao anúncio de compra da Portgás, que levará a empresa liderada por Rodrigo Costa a realizar um aumento de capital.

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 10 de Abril de 2017 às 09:28
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As acções da REN negoceiam em terreno negativo na bolsa nacional sofrendo a queda mais acentuada desde o referendo que ditou a saída do Reino Unido da União Europeia com os investidores a penalizarem a cotada devido ao aumento de capital de 250 milhões de euros para financiar a compra da Portgás à EDP.

 

A REN desvaloriza 3,73% para 2,81 euros, o que corresponde à queda mais acentuada desde 24 de Junho de 2016, dia em que deslizaram 5,86%.

 

Ainda assim, esta queda acima de 3% apenas atenua o ciclo de ganhos da REN, que vêm de uma série de 12 sessões sem perder valor, período em que avançaram mais de 10%.

 

A queda desta segunda-feira surge depois de a REN ter anunciado, após o fecho da sessão anterior, que chegou a acordo para adquirir a Portgás à EDP, numa operação que avalia a EDP Gás em mais de 500 milhões de euros. Para financiar esta compra, a REN vai aumentar o capital em 250 milhões de euros através de uma oferta pública de subscrição, estimando que a operação seja totalmente objecto de contrato de 'underwriting' a celebrar com Banco Santander, CaixaBI e JP Morgan".

 

Este acordo era, de alguma forma esperado, depois de António Mexia ter informado que estava em processo de venda da Portgás, operação que lhe podia valer 500 milhões de euros. A EDP no mês de Março já tinha comunicado a venda de outra empresa, a espanhola Naturgas, que também tinha a parte de distribuição de gás em Espanha, mas manteve nesse país a comercialização.

  

O BPI, numa nota a clientes onde analisa o negócio, assinala que o valor envolvido na aquisição representa um múltiplo de 11 vezes o EBITDA, o que apesar de ser "desafiante", "compara favoravelmente" com o múltiplo de 11,5 vezes o EBITDA implícito na venda de 25% do capital da empresa de distribuição de gás da EDP no ano passado.

 

Sobre o aumento de capital, que deverá ser efectuado no final do terceiro trimestre, o BPI destaca que a emissão de acções "deverá expandir o "free float’ e aumentar a liquidez" da REN, que estão actualmente em níveis "muito baixos". Por isso, o BPI espera uma reacção positiva das acções a esta operação.

 

O BPI tem actualmente uma recomendação de "neutral" para as acções da REN, com um preço-alvo de 2,85 euros, que incorpora um desconto de 10% devido à reduzida liquidez.  O banco espera um impacto "negligenciável" no rácio da dívida líquida face ao EBITDA da REN, assinalando que a empresa reiterou o dividendo de 17,1 cêntimos por acção e o "rating" acima do nível de "lixo".


 

Quanto ao impacto deste negócio na EDP, o BPI diz que é "positivo", mas "diminuto", sendo que era já "largamente aguardado pelo mercado". O valor da operação (532 milhões de euros) ficou 17% acima da avaliação que o BPI tem para este activo, pelo que o impacto no valor por acção é de apenas 2 cêntimos (0,6%).

 

Ainda assim assinala que, com este negócio, em conjunto com a venda da Naturgás, a EDP "sai da actividade de distribuição de gás natural na Península Ibérica, consolidando o seu modelo de negócio na electricidade", além do que "acelera o processo de desalavancagem", colocando a dívida líquida em valores que correspondem a 3,3 vezes o EBITDA.

 

As acções da EDP descem 0,44% para 3,1667 euros. O BPI integra a eléctrica na sua lista de acções favoritas, com um preço-alvo de 3,55 euros.       

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